Povos Indígenas

Centro de Medicina Indígena da Amazônia é mais visitado por mulheres

Kumu Manoel Lima atende mulher no Bahserikowi´i Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real
16/06/2017 21:49

Com nove dias de funcionamento, o Bahserikowi´i – Centro de Medicina Indígena da Amazônia, aberto no dia 6 de junho no centro histórico de Manaus, já atendeu cerca de 150 pessoas, com uma média de 30 pessoas por dia (entre primeira consulta e retorno). O número é considerado expressivo pelo coordenador do Centro, o antropólogo João Paulo Barreto, da etnia Tukano. Segundo ele, 60% das pessoas que vão ao centro em busca de tratamento são mulheres. A maioria delas são não-indígenas.

“As pessoas têm procurado para tratar de dores musculares, feridas que não cicatrizam, coceiras, reumatismo, doenças uterinas, diabetes, colesterol alto, insônia, depressão, entre outras coisas. O Kumu trata fazendo o bahsese no remédio natural, no chá de planta medicinal preparado na hora e no tabaco”, diz Barreto.

O Kumu Duhpó Manoel Lima, da etnia Tuyuka, atende diariamente, entre 9h e 15h, diversos tipos de doenças através do bahsese, um tipo de benzimento. Apenas os Kumuã (Kumu no plural) especialistas indígenas do Alto Rio Negro têm domínio sobre este conhecimento.

A professora Maria Carmem de Souza, 54 anos, disse que procurou o Bahserikowi´i para fazer um tratamento com o Kumu Duhpó. Ela disse que tem muitas dores nas pernas. Exames médicos e até uma ressonância magnética diagnosticaram que a professora sofre de osteoporose nos joelhos.

“Tomo vários remédios e faço fisioterapia, mas a dor não passa. Resolvi conciliar o tratamento da medicina ocidental com a medicina indígena. Estou sentindo uma melhora gradativa, especialmente nas dores das pernas”, disse Carmem de Souza.

Ivan Barreto, o Kumu Manoel Lima e João Paulo Barreto, no Centro de Medicina Indígena (Foto Alberto César Araújo/Amazônia Real)

Ivan Barreto, o Kumu Manoel Lima e João Paulo Barreto, no Centro de Medicina Indígena (Foto Alberto César Araújo/Amazônia Real)

 

No Centro, o paciente pode comprar remédios naturais produzidos pelo indígena Iuri Apurinã, da comunidade Tauá-Mirim, município de Tapauá. Se não comprar o remédio, o próprio Kumu indica o tratamento a partir das plantas, conforme o tipo de doença.

“Mas não basta aplicar o remédio. O Kumu tem que fazer bahsese. Se não comprar remédio ou não ter a planta, o Kumu faz o benzimento na água”, disse Barreto.

Há também pessoas que vão ao Centro de Medicina Indígena da Amazônia para receber bahsese de proteção pessoal, de sua família e de sua casa. Esse tipo benzimento é conhecido como wetidarese na língua Tukano e sua função é para proteger de ataques, invejas e também para abrir caminho. 

“Contei ao Kumu Duhpó que preciso de proteção. Ele fez o bahsese (benzimento) no meu perfume. Não entendi a língua dele. A auxiliar de enfermagem que o acompanhe disse assim: é para passar uma gotinha do perfume quando for sair, vai te proteger”, disse a estudante Jana Silveira Santos.

Já o vendedor Jorge Correa procurou o centro para fazer um tratamento com bahsese por causa de dores nas costas.

“Tem um ano que sinto essas dores. O problema é a coluna cervical, mas o meu próprio médico me disse para eu procurar algo alternativo, como yoga, florais. Com a notícia sobre este centro de medicina indígena decidi conhecer. Estou me sentindo melhor com o bahsese”, disse Correa.

João Paulo Barreto informou ainda que o Centro de Medicina Indígena da Amazônia também faz atendimento para pessoas que moram em outras cidades, Estados e regiões. Os remédios para tratamento da doença, com o bahsese do Kumu, serão enviados pelos Correios.

A consulta custa R$ 10 reais. O valor do tratamento varia conforme o tempo e a complexidade da doença.

Além de pessoas procurando o atendimento com o bahsese, o centro tem recebido visitas de lideranças indígenas, professores, estudantes, representantes de organizações não governamentais, entre outros. Um dos visitantes foi o presidente da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), Marivelton Barroso, que esteve no local nesta semana (foto abaixo da Marivelton Barroso, de camiseta azul). 

O presidente da FOIRN, Marivelton Barroso, (de camisa azul) visitou o Centro (Foto: Amazônia Real)

O presidente da FOIRN, Marivelton Barroso, (de camisa azul) visitou o Centro (Foto: Amazônia Real)

 

O que é:

BAHSERIKOWI´I – Centro de Medicina Indígena da Amazônia

Funcionamento: De segunda a sexta, das 9h às 15h. No sábado, até às 12h.

Local: Rua Bernardo Ramos, no. 97, Centro de Manaus. próximo do Paço Municipal.

Informações:

João Paulo Barreto:  (92) 99271-7500 

Ivan Barreto: (92) 98223-5531

 

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