Questão Agrária

Chacina em Pau D´Arco: empresa de segurança privada da fazenda é notificada pela Polícia Federal

02/06/2017 20:22

A empresa Elmo Segurança foi aberta em 9 de maio de 2011 com um capital de R$ 108 mil. Na imagem peritos vistoriam  acampamento de sem-terra na fazenda Santa Lúcia 1 (Foto: Mácio Ferreira/Agência Pará)

 

Testemunhas que sobreviveram à chacina na fazenda Santa Lúcia, no município de Pau D´Arco, no sul do Pará, disseram em depoimento à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), ao Ministério Público Federal, ao Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) e à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) que vigilantes da empresa Elmo Segurança, contratada pela família Babinski para atuar na fazenda Santa Lúcia 1, estavam na cena da operação das polícias Civil e Militar em que foram mortos 10 sem-terra.

Em ofício, a procuradora Deborah Duprat, da PFDC, solicitou à Direção-geral da Polícia Federal, em Brasília, esclarecimento sobre as empresas de segurança privada em atividade na região do Araguaia paraense, com os nomes dos respectivos sócios, administradores, diretores, gerente e vigilantes, em especial, se a empresa Elmo Segurança Especializada Ltda. encontra-se em   situação regular.

A Amazônia Real procurou a superintendência da Polícia Federal no Pará para saber se a situação da empresa Elmo Segurança é regular perante a Coordenação-geral de Controle de Segurança Privada, que concede os alvarás de funcionários da atividade. Há a suspeita de contratação de pistoleiros pela empresa.

A PF disse que a empresa é regular, mas foi notificada para prestar esclarecimento sobre o motivo de não ter informado que fazia vigilância na fazenda Santa Lúcia 1, em Pau D´Arco. A informação deveria constar no Sistema de Gestão Eletrônica. A proprietária da fazenda, Maria Inez Resplande de Carvalho diz que a empresa é regularizada.

No relatório da Comissão de Direitos Humanos da Alepa, que acompanha as investigações sobre a chacina, o presidente da comissão, deputado Carlos Bordalo (PT), além dos deputados Ozório Juvenil (PMDB) e Lélio Costa (PC do B), questionaram também ao Sistema Integrado de Segurança Pública do Pará se “havia a presença de pessoas estranhas às corporações policiais” na operação de reintegração de posse na fazenda Santa Lúcia 1, que resultou na chacina de 10 sem-terra. 

Conforme relatório da comissão, na região Sul do Pará, há “proliferação de empresas de segurança armada com a utilização de pistoleiros entre os seguranças profissionais e o incremento da violência deles contra os ocupantes de áreas (sem-terra) em litígio”

À reportagem, o deputado Carlos Bordalo disse que nos depoimentos testemunhas sobreviventes relataram a presença de pessoas que não eram das forças policiais na cena do crime.

Seguranças da empresa privada Elmo (Foto: Reprodução Facebook)

Seguranças da empresa privada Elmo (Foto: Reprodução Facebook)

A Amazônia Real apurou que a empresa Elmo Segurança Especializada foi aberta em 9 de maio de 2011 pela família de Erevaldo Barbosa da Cruz, que tem negócios nos ramos de venda de tecidos e decoração no Rio de Janeiro.

Com um capital de R$ 108 mil, a empresa de segurança privada foi aberta com escritórios em Barcarena e em Ananindeua, e atua nos municípios de Itaituba, Tucuruí, Redenção, entre outros. A reportagem não localizou Erevaldo Cruz para falar sobre as denúncias das testemunhas da chacina na fazenda Santa Lúcia 1.

Em 21 de outubro de 2011, a Coordenadoria-geral de Controle de Segurança do Departamento da Polícia Federal do Pará emitiu o Alvará no. 13.692 (com base nas leis 7.102/83, 9.017/95 e os decretos 89.056/83 e 1.592/95), concedendo a autorização do funcionamento à empresa Elmo Segurança Ltda., especializada em segurança privada, nas atividades de Vigilância Patrimonial, para atuar no estado do Pará.

O Certificado de Segurança nº 1937/11 é válida por um ano, mas a PF não informou se ele ainda está valendo.

Até 2014, a empresa Elmo Segurança mantinha uma página ativa no Facebook em que se declarava atuar “com o propósito de atender às necessidades das empresas locais com uma metodologia e um serviço diferenciado na área de segurança privada.”

Erevaldo Cruz, de tênis branco, é o proprietário da Elmo Segurança (Foto: Reprodução Facebook)

Erevaldo Cruz, de tênis branco, é o proprietário da Elmo Segurança (Foto: Reprodução Facebook)

Quem mais postava informações na página era o diretor Erevaldo Barbosa Cruz, que divulgava frases como “Tropa pronta para emprego imediato. Desbravando a Transamazônica!” e “Quando o inesperado acontece, aquele que ficar esperando novas ordens para continuar agindo certamente será derrotado; aquele que reagir mais rapidamente, mantendo a iniciativa, será vitorioso”. A frase é atribuída ao general da reserva do Exército Carlos Alberto Pinto Silva, ex-comandante do Comando Militar do Oeste. 

Notícias relacionadas

Deixe seu comentário

Leitores e leitoras, seus comentários são importantes para o debate livre e democrático sobre os temas publicados na agência Amazônia Real. Comunicamos, contudo, que as opiniões são de responsabilidade de vocês. Há moderação e não serão aprovados comentários com links externos ao site, ofensas pessoais, preconceituosas e racistas. Agradecemos.

Translate »