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Um olhar sobre o MST

28/10/2013 10:22

MARY COHEN

Volta e meia temos notícias, na chamada “grande” mídia, sobre o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra – MST, sempre no sentido de criminalizar o movimento.

Não bastasse a atuação da mídia, parte do Judiciário e do MP também atua fortemente nesse processo de criminalização. O fechamento das escolas no Rio Grande do Sul e no Centro Oeste é exemplo disso.

 

Surgido em 1984, o MST encarnou a luta de muitos que, no passado, também lutaram pela dignidade e por uma sociedade justa e solidária, em verdadeira continuidade da luta de Zumbi dos Palmares, do Movimento da Cabanagem, de Antônio Conselheiro e tantos outros.

Tornou-se o movimento social do campo que assimilou todos os gritos e clamores de um povo que, há mais 500 anos, vem sendo explorado e oprimido.
Penso que a grande lição do MST não se refere às ocupações e suas indignações legítimas, mas sim ao ensinamento, para a sociedade brasileira, de que o campo e o mundo camponês estão vivos, estão em movimento.

Não podemos simplesmente ignorar sua existência, como tentaram fazer ao longo dos séculos. O movimento nos provoca quando questiona as estruturas sociais e a cultura política que as legitima, totalmente divorciadas da missão de construir um Brasil para todos.

Não podemos olhar o MST a partir do olhar da grande imprensa, não raro a serviço das estruturas acima mencionadas. O MST congrega o povo da roça, os trabalhadores rurais, agricultores, camponeses e as familiares pobres e expulsas pelo latifúndio e pelo agronegócio.

Acredito que para, entender isso, temos que nos despir dos preconceitos com relação aos grupos que fogem dos padrões de comportamento estipulados pela sociedade dominante.

A grande mídia defende a idéia de que o MST é um movimento de vândalos, baderneiros e de vagabundos que “invadem” a propriedade privada de pessoas boas, sérias e que nunca fizeram mal a ninguém, sem nenhum aceno para a diferenciação, no aspecto sociológico, entre ocupar e invadir.

A quem realmente interessa que o MST se torne um movimento sem credibilidade para a sociedade brasileira? Qual é o conceito de vandalismo utilizado pela mídia para caracterizar as ações do MST nestes últimos tempos?
Interessa àqueles que se utilizam da mídia para inculcar na consciência do povo brasileiro um conceito ou pré-conceito em relação às ações do MST. Esqueceram-se somente de dizer que a grilagem, o trabalho escravo, os assassinatos de trabalhadores rurais, religiosos e agentes pastorais, a exploração do trabalho infantil, a prostituição de crianças e adolescentes, além de crimes hediondos, são atos de vandalismos.

E mais hediondo e vândalo ainda é o próprio latifúndio.

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