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“A gente vê no rio o peixe passando morto”, diz Iandra Waro Munduruku

Território dos Munduruku no Tapajós (Foto: Gabriel Bicho/Greenpeace)
17/03/2017 23:37

Por Sucena Shkrada Resk

 

A agente de saúde indígena Iandra Waro, da etnia Munduruku, é a nova entrevistada pelo Projeto Audivisual #Vozesdosatingidos do Fórum Teles Pires, apoiado pelo Instituto Centro de Vida (ICV). O projeto foi lançado no início deste mês e acompanha a luta dos indígenas e ribeirinhos atingidos pelas hidrelétricas no rio Teles Pires.

No vídeo, Iandra Waro, da aldeia Teles Pires, no Mato Grosso, diz que a hidrelétrica causou muitos impactos, afetou a cultura, acabou com os peixes e deixou as crianças doentes, com problemas de pele.

“A escassez de peixe está muito grande. O peixe está magro. A gente vê o peixe morrendo. A gente vê no rio [0 peixe] passando morto”, denuncia Waro.

O projeto #VozesdosAtingidos tem o objetivo de promover um espaço de comunicação no qual (indígenas, agricultores familiares e outros) atingidos pelo processo de instalação e funcionamento de empreendimentos hidrelétricos (de infraestrutura) no rio Teles Pires, que fica na Bacia do Tapajós, possam se expressar e expor suas reivindicações e situação atual.

A aldeia Teles Pires fica na Terra Indígena Kayabi, onde também vivem os índios Apiaká e Kayabi. Em 2012, durante ação da Polícia Federal para destruir balsas na aldeia, o indígena Adenilson Kixiri Munduruku foi assassinado. Os Munduruku estavam em plena luta contra a barragem (leia aqui).

 

Sucena Shkrada Resk é jornalista do Fórum Teles Pires (FTP) e do Núcleo Centro de Vida (ICV). A foto desta matéria é de sua autoria. Veja o vídeo abaixo:

 

 

A foto que ilustra esse texto é do Território dos Munduruku no Tapajós de autoria de Gabriel Bicho(Greenpeace) 

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Comentários

  1. NILTON S. SPAGNUOLO disse:

    Estudos de impactos ambientais e sociais provocados por extração de minérios e por grandes obras de engenharia tem por finalidade antecipar providências que evitem ou minimizem previsíveis danos ao meio ambiente e aos habitantes da área escolhida pelo projeto. O desrespeito a esses estudos prejudica milhares de pessoas, como as populações de cidades localizadas em áreas impropriamente escolhidas para a construção de barragens, obrigadas a abandonar suas casas antes de estas serem inundadas por lagos artificiais. Na construção da rodovia BR-174, que liga Manaus a Boa Vista, o menosprezo a estudo de impacto social permitiu que essa estrada atravessasse território habitado por população indígena da etnia Waimiri-Atroari. A previsível reação hostil dos índios à invasão de suas terras por operários que dirigiam tratores e derrubavam árvores foi reprimida com violência pelo governo da época, resultando no desaparecimento de 2.000 indivíduos dessa etnia. Os links abaixo mostram o desastre provocado por uma grande obra de engenharia que foi executada sem respeitar estudo de impacto social:
    http://www.dhnet.org.br/verdade/resistencia/a_pdf/r_cv_am_waimiri_atroari.pdf
    http://www.cartacapital.com.br/politica/2000-waimiri-atroari-desaparecidos-na-ditadura
    http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/508652-waimiri-atroari-desaparecidos-politicos-entrevista-especial-com-egydio-schwade

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