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Belo Monte – Atores e argumentos: 3 –As empresas e as doações

04/09/2017 17:50

Uma gama de atores compõe os dois lados da luta sobre Belo Monte. Atores pró-barragem incluem as empresas de construção e indústrias produtoras de alumínio e outros produtos eletro-intensivos, empresas de consultoria que preparam relatórios de impacto no processo de licenciamento, os vários grupos de “barrageiros” individuais (engenheiros e outros profissionais, incluindo alguns acadêmicos, que trabalham no esforço de construção de barragens) e agências governamentais que planejam e promovem as barragens, tais como Centrais Elétricas Brasileiras (ELETROBRAS), a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

Há também interesses de negócios influentes que lucram com a venda de bens e serviços para o esforço de construção de barragens, incluindo a elite comercial de Altamira.

Em 2009, os empresários locais e outros apoiadores da barragem fundaram o Fórum Regional de Desenvolvimento Econômico e Socioambiental da Transamazônica e Xingu (Fort Xingu). Finalmente, existem políticos em todos os níveis para os quais grandes projetos como represas são úteis como conquistas visíveis que podem ganhar votos nas eleições subsequentes.

A ex-presidente Dilma em sobrevoo no rio Madeira, em Rondônia (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR/2014)

Em janeiro de 2013, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) liberou informações pela primeira vez sobre doações para campanhas políticas: os quatro maiores para campanhas políticas no Brasil na década anterior eram empresas de construção de barragens na Amazônia [1]. Três dos quatro maiores doadores para a campanha presidencial de 2010 de Dilma Rousseff foram grandes empresas de construção [2]. [4]

 

Notas

[1] Gama, P. 2013. Maiores doadores somam gasto de R$1 bi desde 2002. Construtores e bancos são principais financiadores de campanhas eleitorais. Folha de São Paulo, 21 de janeiro de 2013. p. A-6. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/89730-maiores-doadoras-somam-gasto-de-r-1-bi-desde-2002.shtml

[2] Zampier, D. 2010. Mais da metade das doações da campanha de Dilma vieram de 41 empresas. Agência Brasil, 30 de novembro de 2010. http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2010-12-01/mais-da-metade-das-doacoes-da-campanha-de-dilma-vieram-de-41-empresas

[3] Fearnside, P.M. 2017. Belo Monte: Actors and arguments in the struggle over Brazil’s most controversial Amazonian dam. Die Erde 148(1): 230-243. doi: 10.12854/erde-147-18.

[4] As pesquisas do autor são financiadas exclusivamente por fontes acadêmicas: Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq: proc. 305880/2007-1; 5-575853/2008 304020/2010-9; 573810/2008-7), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM: proc. 708565) e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA: PRJ15.125). Agradeço a Paulo Maurício Lima de Alencastro Graça pelos comentários. Esta é uma tradução atualizada de [3].

 

A fotografia que ilustra este artigo é da Usina Belo Monte, em Altamira, no Pará (Foto: Betto Silva/Norte Energia)

 

Leia os artigos da série:

Belo Monte – Atores e argumentos: 1 – Resumo da série

Belo Monte- Atores e argumentos: 2 – A pergunta do por quê

 

Philip M. Fearnside é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e também coordena o INCT (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia) dos Serviços Ambientais da Amazônia. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 500 publicações científicas e mais de 200 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis neste link

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