Super El Niño impõe riscos de incêndios florestais na Amazônia

Os cientistas alertam para uma probabilidade de 81% de um fenômeno climático de intensidade severa atingir a Amazônia no último trimestre de 2026 e no início de 2027. Eles preveem que o aquecimento do Oceano Pacífico causará calor extremo, redução das chuvas e um aumento crítico dos incêndios florestais, ameaçando a saúde e a subsistência de populações vulneráveis. Embora estados como Amazonas, Acre e Roraima já tenham iniciado planejamentos e decretado emergências, críticos apontam a falta de detalhes práticos e recursos para proteger comunidades indígenas e ribeirinhas.

Queimada no sul do Amazonas, em 29/ 08/2025 (Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace).
Amazonia Real Publicado em: 23/07/2026 às 08:00
Por da Amazônia Real
Metodologia
 

Origem e metodologia: Reportagem sugerida pela editora para acompanhar os primeiros desdobramentos e possíveis impactos do El Niño nos estados da Amazônia. Segundo nota técnica conjunta entre Inpe, Inmet, Funceme e Censipam, na Amazônia, especialmente em sua porção leste, a diminuição das precipitações pode provocar redução dos níveis dos rios, com impactos para a navegação, a pesca e o abastecimento de comunidades. O cenário também favorece temperaturas acima da média e aumento do risco de incêndios florestais. 


Apuração: A apuração foi feita de forma remota, com entrevistas por e-mail e ligação telefônica com as fontes: Gilvan Sampaio (Inpe), Marcelo Seluchi (Cemaden), Philip Fearnside (Inpa). Os governos do Amazonas, Acre e Roraima também foram procurados por e-mail, via assessoria de imprensa.

Citações
"Não podem esperar os rios secarem, a fumaça tomar conta das cidades e as comunidades ficarem isoladas para depois declarar emergência e distribuir ajuda de forma improvisada. Os governos devem contratar e equipar brigadas indígenas e comunitárias. Essas brigadas não podem existir apenas durante a emergência ou trabalhar de forma precária. Elas precisam de remuneração, equipamentos, formação e presença permanente nos territórios" - Adilson Vieira, sociólogo do GTA.

“Tendência de chuvas abaixo da média no norte e leste da Amazônia, com maior impacto no primeiro semestre de 2027. Ainda não dá para falar sobre seca e intensidade de seca, pois é necessário avaliar a evolução da temperatura do oceano no Atlântico Tropical. Ao longo dos próximos meses será possível avaliar essa questão. Atenção ao sul da Amazônia nos próximos meses, pois as temperaturas altas podem aumentar o potencial de queimadas na região, principalmente porque é o período seco nesta região” - Gilvan Sampaio, pesquisador do Inpe.

"Os impactos são bem mais complexos do que a simples generalização de que El Niño causa seca na Amazônia". Philip Fernside, pesquisador do Inpa.
Nicoly
Nicoly Ambrosio

É jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e fotógrafa independente na cidade de Manaus. Como repórter, escreve sobre violações de direitos humanos, conflitos no campo, povos indígenas, populações quilombolas, racismo ambiental, cultura, arte e direitos das mulheres, dos negros e da população LGBTQIAPN+ do Norte. Em seu trabalho fotográfico, utiliza suportes analógicos, digitais e experimentais para registrar cenas da Amazônia urbana e de manifestações artísticas de rua marginalizadas, como a pixação e o graffiti. Desde 2018, participa de exposições de arte independentes e coletivas em Manaus. Já expôs trabalhos fotográficos no 10º Festival de Fotografia de Tiradentes (Tiradentes/MG, 2020) e na Galeria do Largo – Espaço Mediações (Manaus/AM, 2020). Recebeu o 1º Prêmio Neusa Maria de Jornalismo (2020), o Prêmio Sebrae de Jornalismo – AM na categoria Texto (2024) e o Prêmio Megafone de Ativismo na categoria Reportagem de Mídia Independente (2025). De 2020 a 2022, participou do projeto de Treinamento no Jornalismo Independente e Investigativo da Amazônia Real.

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