Crise climática expõe crianças e adolescentes na Amazônia

Um novo painel da Unicef mapeou os riscos climáticos e socioambientais na infância e adolescência no Brasil. Na região amazônica, quase metade dos municípios apresenta alta vulnerabilidade devido à degradação ambiental combinada à carência de infraestrutura básica. Eventos extremos, como secas, impactam severamente a saúde, a educação e o modo de vida das comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas.

Moradores da Colônia Antônio Aleixo durante a seca em 2023 (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real).
Amazonia Real Publicado em: 11/08/2026 às 20:18
Por da Amazônia Real
Metodologia
Reportagem sugerida pela editoria para abordar os resultados do Painel Crianças e Meio Ambiente, uma plataforma do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e da Vital Strategies, que reúne informações sobre a exposição a riscos ambientais e climáticos de crianças e adolescentes em mais de 5 mil municípios brasileiros.

A apuração foi feita de forma remota, por meio da análise prévia dos dados na plataforma, focada especialmente nos indicadores dos estados da Amazônia Legal. A apuração também acompanhou a coletiva de imprensa online realizada no dia 23/07 pelos coordenadores da pesquisa/plataforma. A repórter fez uma pergunta específica durante a coletiva para Danilo Moura, do Unicef Brasil. Para aprofundar a reportagem, a jovem indígena Taissa Kambeba, moradora de uma aldeia nos arredores de Manaus (AM), concedeu entrevista à agência sobre sua experiência diante da crise climática no território.

Citações

“As crianças, os adolescentes, sejam eles indígenas ou não indígenas, periféricos, quilombolas, ribeirinhos, todos eles já passaram por esse processo. Se a gente não cuidar do clima agora, daqui a 10, 20 anos, não vai existir mais nada. Eu prezo muito para que incluam as nossas crianças nessa pauta, porque nós também pensamos e estamos construindo um futuro de qualidade” - Taissa Kambeba, jovem ativista indígena da aldeia  Tururukari-Uka.


“Nos últimos anos, especialmente em 2023 e 2024, os períodos de seca tiveram impactos bem grandes sobre as comunidades da Amazônia. Nesse caso, a gente precisa ter uma atenção especial levando em consideração essa interação de vulnerabilidade social com vulnerabilidade climática e ambiental, para pensar quais são as estratégias e para priorizar a região com atenção especial para se proteger desses riscos” - Danilo Moura, especialista do Unicef


 

“Crianças e adolescentes são os mais afetados pelos impactos das mudanças climáticas e da poluição, embora sejam os que menos contribuem para esse cenário. Lançado no momento em que o País se prepara para a chegada do El Niño e seus possíveis impactos, o Painel foi desenvolvido para apoiar gestores públicos na identificação dos principais riscos que afetam meninos e meninas em seus territórios, oferecendo evidências que ajudam a orientar ações mais eficazes para proteger seus direitos e seu desenvolvimento” - Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do Unicef no Brasil,



https://www.criancasemeioambiente.org.br/


 


https://amazoniareal.com.br/os-isolados-da-seca/


 


https://defensoria.am.def.br/2023/04/05/defensores-mirins-realizam-acao-em-comunidade-indigena-kambeba/


 


https://www.noaa.gov/news-release/el-nino-forms-expected-to-strengthen-say-noaa-forecasters


 


https://www.paho.org/pt/noticias/4-4-2022-novos-dados-da-oms-revelam-que-bilhoes-pessoas-ainda-respiram-ar-insalubre


 


https://www.unicef.org/brazil/comunicados-de-imprensa/unicef-e-vital-strategies-lancam-analise-inedita-sobre-exposicao-ambiental


 


https://amazoniareal.com.br/super-el-nino-impoe-riscos-de-incendios-florestais-na-amazonia/


 


https://www.brasildefato.com.br/2025/11/11/vitimas-de-tragedias-climaticas-pedem-que-cop-priorize-criancas-nas-decisoes-sobre-clima-sao-as-mais-impactadas/


 


https://www.sema.am.gov.br/plano-de-prevencao-e-controle-do-desmatamento-e-queimadas-no-amazonas-ppcdq-am/




Local de Cobertura
Nicoly
Nicoly Ambrosio

É jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e fotógrafa independente na cidade de Manaus. Como repórter, escreve sobre violações de direitos humanos, conflitos no campo, povos indígenas, populações quilombolas, racismo ambiental, cultura, arte e direitos das mulheres, dos negros e da população LGBTQIAPN+ do Norte. Em seu trabalho fotográfico, utiliza suportes analógicos, digitais e experimentais para registrar cenas da Amazônia urbana e de manifestações artísticas de rua marginalizadas, como a pixação e o graffiti. Desde 2018, participa de exposições de arte independentes e coletivas em Manaus. Já expôs trabalhos fotográficos no 10º Festival de Fotografia de Tiradentes (Tiradentes/MG, 2020) e na Galeria do Largo – Espaço Mediações (Manaus/AM, 2020). Recebeu o 1º Prêmio Neusa Maria de Jornalismo (2020), o Prêmio Sebrae de Jornalismo – AM na categoria Texto (2024) e o Prêmio Megafone de Ativismo na categoria Reportagem de Mídia Independente (2025). De 2020 a 2022, participou do projeto de Treinamento no Jornalismo Independente e Investigativo da Amazônia Real.

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