Juarez Silva Jr.
É blackface ou não é? O boi-bumbá na berlinda
O conhecido Festival Folclórico de Parintins, quando os bois-bumbás Garantido e Caprichoso se enfrentam anualmente, ganhou na sua edição de 2019 uma reprimenda oficial dos jurados, que em carta pediram a consideração do fim do “blackface” nos personagens Pai Francisco […]
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Perfeito, Flávia. Creio que o autor Prof. Juarez precisa consultar também Leda Maria Martins. Segue a referência: MARTINS, Leda Maria. A cena em sombras. 2. ed. rev. São Paulo: Perspectivas, 2023.
Flávia, você foi solar em sua colocação. O conteúdo dessa matéria está muito equivocado. E sim, isso é blackface. E tais práticas continuam tirando o PRETAGONISMO das pessoas negras. Creio que uma leitura nas obras O PACTO DA BRANQUITUDE e IMAGENS DA BRANQUITUDE, dentre outras, poderiam auxiliar o colega a reconsiderar seu posicionamento.
Pois concordo. Blackface surge de um contexto específico e aplicar o mesmo contexto de seu surgimento em manifestações que em nada remontam ao mesmo é praticamente beber da fonte do imperialismo. Pautas identitárias são importantíssimas, mas é preciso ter cuidado para não importarmos formas estadunidenses de compreender raça e cultura, pois mesmo o letramento racial que cabe no contexto deles nem sempre há de caber no nosso.
Flávia Ramos disse tudo
Discordo de seu artigo, professor Juarez. Toda vez que houver uma referência a cultura negra e uma pessoa branca ou mestiça estiver trajado de pessoa preta, trata-se de blackface e já está sendo rejeitado em muitas atividades culturais em todo lugar do país. No lugar do ator ou folião mestiço ou branco, coloca-se o preto. O protagonismo é preto onde do preto é a cultura. Em caso de não haver. Faz-se referência e reverência a pessoa preta e ao povo preto no início e no final da apresentação. É assim que vamos extirpar o racismo também marcado em nossas manifestações culturais. Contudo, é certo que cada caso é um caso. Pode haver caracterização positiva da pessoa preta? (uso de mascaras e pinturas) Sim, quando a caricatura/ou caracterização estiver em um contexto claro de exaltação e no rosto do próprio negro, como no caso do Salgueiro. Branco não pode se disfarçar de negro e muito menos em manifestações culturais de origem africana. Por que? Negros não faltam no Brasil, na Amazônia. Esse é o movimento de Consciência Negra. Nenhuma brecha mais para manutenção de privilégios.
Discordo de seu artigo, professor Juarez. Toda vez que houver uma referência a cultura negra e uma pessoa branca ou mestiça estiver trajado de pessoa preta, trata-se de blackface e já está sendo rejeitado em muitas atividades culturais em todo lugar do país. No lugar do ator ou folião mestiço ou branco, coloca-se o preto. O protagonismo é preto onde do preto é a cultura. Em caso de não haver. Faz-se referência e reverência ao preto no início e no final da apresentação. É assim que vamos extirpar o racismo também marcado em nossas manifestações culturais. Contudo, é certo que cada caso é um caso. Pode haver blackface positivo quando a caricatura estiver em um contexto claro de exaltação e no rosto do próprio negro, como no caso do Salgueiro. Branco não pode se disfarçar de negro e muito menos em manifestações culturais de origem africana. Por que? Negros não faltam no Brasil, na Amazônia. Esse é o movimento de Consciência Negra. Nenhuma brecha mais para manutenção de privilégios.