O Sairé e a luta dos Borari pela demarcação

Por trás de uma das manifestações mais conhecidas da Amazônia, os indígenas reivindicam o território de onde vêm os conhecimentos que mantêm a celebração de 300 anos viva. Há 23 anos, eles esperam pela demarcação da Terra Indígena Borari de Alter do Chão, em Santarém, no oeste do Pará. O processo de regularização fundiária está parado na Funai desde o ano de 2009. A festa do Sairé depende diretamente dos recursos naturais, do alimento e dos espaços sagrados desse solo tradicional para existir.

Imagem em dupla exposição da Festa do Sairé 2026, em Alter do Chão, Santarém, oeste do Pará (Foto: Tainá Rionegro/Amazônia Real).
Amazonia Real Publicado em: 01/10/2026 às 15:51
Por da Amazônia Real
Metodologia
A reportagem foi realizada por meio de trabalho de campo em Alter do Chão, distrito de Santarém, no oeste do Pará, combinando escuta comunitária, análise documental e registro fotográfico autoral. A apuração reuniu relatos de lideranças indígenas, guardiões dos ritos e agentes comunitários, entre eles Osmar Vieira de Oliveira, cacique Borari e coordenador do rito tradicional do Sairé; Dalva de Jesus Vieira, Saraipora e guardiã do Sairé há 12 anos; Zenira dos Santos, indígena da aldeia Karanã que atua na cozinha do evento; Antônio Sardinha Borari,presidente da Associação dos Catraeiros de Alter do Chão; Silvert Abraão da Silva, Alferes do rito tradicional, meteorologista e mestre em Recursos Naturais pela Ufopa; além da análise de dados e documentos oficiais como consulta ao Relatório de Autodemarcação da Terra Indígena Borari de Alter do Chão, produzido pelo povo Borari junto ao Núcleo de Pesquisas sobre Espaço, Política e Emancipação Social (Nepes/Ufopa).
Citações
“O Sairé é a prova de que o nosso povo existe e resiste. É um saber passado de geração em geração. O Sairé está no nosso sangue, nos chama, pois é uma festa da fartura e a Amazônia de verdade é a nossa fartura que vem da terra, do alimento ancestral.” - Osmar Vieira de Oliveira, cacique indígena Borari e coordenador do rito tradicional do Sairé.

“A busca dos mastros era para dentro do Lago Verde. Mas já são dois anos que não conseguimos entrar. A seca e o assoreamento mudaram tudo.” - Dalva de Jesus Vieira, Saraipora do rito tradicional há 12 anos, guardiã do Sairé.

LINKS

https://ufopa.edu.br/ufopa/comunica/noticias/ufopa-e-povo-borari-lancam-relatorio-de-autodemarcacao-da-terra-indigena-de-alter-do-chao/


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https://www.gov.br/funai/pt-br/atuacao/terras-indigenas/demarcacao-de-terras-indigenas/entenda-o-processo-de-demarcacao
https://www.gov.br/funai/pt-br/acesso-a-informacao/institucional/coordenacoes-regionais-funai/cr-tapajos



Local de Cobertura
Tainá
Taina Rionegro

Tainá Rionegro é manauara da Zona Leste (AM), jornalista pela Universidade Federal de Roraima (UFRR) e mestra em Antropologia Social pela Universidade de Brasília (UnB). Estudou cinema documental na Universidad de La Habana (Cuba). Vive entre Santarém (PA) e Manaus (AM) e atua com foco em povos e comunidades tradicionais, direitos territoriais, justiça climática, economias da sociobiodiversidade e cultura, especialmente na Amazônia brasileira. Sua produção articula a escrevivência e uma perspectiva decolonial, conectando memória, território e experiências vividas à pesquisa e à narrativa jornalística.

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