Meio Ambiente

Seca no Acre: racionamento de água potável ameaça cidade de Rio Branco

08/08/2016 11:56

Pesquisadora sugere o racionamento ou o rodízio na distribuição de água para evitar o colapso no abastecimento, o nível do rio Acre chegou ao volume mais baixo. Na imagem populares andam no leito do rio (Foto: Odair Leal/Amazônia Real)

 

Afluente da bacia do rio Purus, o rio Acre enfrenta sua pior seca dos últimos 45 anos. Seu nível mais baixo foi registrado no dia 05 de agosto com 1,38 metros, na estação de monitoramento em Rio Branco, segundo o Serviço Geológico do Brasil (CPRM). A medição hidrológica do manancial começou em 1971. O menor índice tinha sido registrado em 2011, com 1,50 m. Na capital, dos 370.550 habitantes, 65% são atendidos pela rede de abastecimento público, mas dificuldades na captação das estações podem levar ao menos 241 mil pessoas a enfrentar o racionamento na distribuição de água potável. 

A captação do abastecimento é feito em duas Estações de Tratamento de Água (ETA 1 e 2) administradas pelo Departamento de Pavimentação e Saneamento (Depasa) do governo estadual, mas em uma delas a captação por torres foi paralisada por o nível do rio estar baixo demais. Na outra foram instalados flutuantes com bombas para garantir alguma coleta.

Com a possibilidade crescente do racionamento no abastecimento de água potável, o governador Tião Viana (PT) decretou, em julho, a situação de emergência, que foi reconhecida pelo Ministério da Integração Nacional nesta quinta-feira (04). Os municípios de Acrelândia, Assis Brasil, Brasiléia, Bujari, Epitaciolândia, Plácido de Castro, Porto Acre, Rio Branco e Xapuri estão em situação de emergência por 180 dias.

O governo federal anunciou que enviará recursos para ações de assistência às pessoas afetadas nos municípios do Acre pelo desastre natural e assim restabelecer as atividades essenciais e recuperar os danos causados, principalmente os relacionados às infraestruturas públicas.  

O racionamento e o rodízio na distribuição de água potável em Rio Branco são defendidos por Liana O. Anderson, bióloga do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Nacionais (Cemaden). Ela diz que não se pode descartar a possibilidade de colapso no abastecimento de Rio Branco. Conforme a previsão dos meteorologistas, a estação seca (com chuva abaixo da média) vai até o mês de setembro e início de outubro. 

 “Não existe uma previsão de chuva, de uma chuva que consiga elevar um pouco mais o nível do rio. Acredito que o que eles vão fazer é trabalhar com a conscientização da população, racionamento de água porque o quadro não vai se reverter. A solução é conviver com essa situação da melhor maneira possível”, afirma a cientista.

Segundo o pesquisador Foster Brown, da Universidade Federal do Acre (Ufac), a seca do rio Acre também atingiu os poços artesianos instalados em residências, escolas, prédios públicos, empresas e comércios. “Estamos entrando num nível de água onde não temos experiência [de captação] nos últimos 45 anos, de quando começou a medição da hidrologia do rio. Estamos vivendo algo que parece ser fora de nossa experiência. Muitos poços estão secando, e isso aumenta a demanda pela água distribuída pelo sistema convencional, que já está comprometido”, disse Brown.

 

Um novo aquífero

Leito do rio Acre apresenta bancos de areia e poluição (Foto: Odair Leal/Amazônia Real)

Leito do rio Acre apresenta bancos de areia e poluição (Foto: Odair Leal/Amazônia Real)

O geólogo Marco Oliveira, superintendente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e especialista na hidrologia dos rios da bacia amazônica, disse que a seca prejudicou a captação para o abastecimento de água potável no rio. “O rio Acre é bastante barrento, com muitos sedimentos. Então, à medida que o nível desce muito, você cria problemas na captação de água, você vai tratar uma água mais concentrada em sedimentos, isso também prejudica o produto final que é a água limpa”, explica o superintendente.

O atual aquífero de Rio Branco ocorrer na região do segundo Distrito, onde atualmente se localiza a planície de inundação do rio Acre, e foi calculado com uma extensão de 122,46 quilômetros quadrados, segundo estudo do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade da Amazônia Ocidental – FAAO.

Marco Oliveira afirma que a alternativa para a cidade evitar o colapso no abastecimento é recorrer ao aquífero localizado à margem direita do rio Acre, no Segundo Distrito da capital. De acordo com ele, a água disponível nesta fonte subterrânea seria suficiente para abastecer uma população de até 1,2 milhão de habitantes. Os estudos detectando a viabilidade deste poço foram produzidos entre 2006 e 2007, diz.

O superintendente do CPRM afirma que é possível encontrar água em escavações de até 40 metros de profundidade, e que muitas empresas de distribuição de água em caminhões-pipa já fazem o uso do aquífero para abastecer hotéis, condomínios e casas. Oliveira defende que o plano diretor da cidade de Rio Branco proteja essa área do poço para evitar sua contaminação.

Segundo o superintendente do CPRM, geologicamente o rio Acre é considerado novo. A sua nascente se encontra na fronteira entre o Brasil e o Peru e tem nas precipitações da região sua principal fonte de existência. “Ele funciona basicamente sob os efeitos da chuva já que o terreno por onde ele corre é muito argiloso. Ele basicamente depende das chuvas”, afirma. 

 

Impactos no rio Acre

 

As margens do rio Acre na área de captação das estações (Foto: Odair Leal/Amazônia Real)

As margens do rio Acre na área de captação das estações (Foto: Odair Leal/Amazônia Real)

“Talvez as nossas lágrimas é que possam fazer o correr das águas.” Assim o geógrafo e pesquisador Clodomir Mesquita define aquela que é considerada a pior crise hídrica dos últimos 45 anos no Acre. 

Para Mesquita, que nestas quatro décadas estuda a única fonte de abastecimento de água para mais da metade da população acriana, a estiagem severa que afeta o sul da Amazônia é agravada no estado pela deterioração do rio ao longo de toda a sua extensão, que vai da nascente na fronteira com o Peru até a foz no município de Boca do Acre (AM), quando ele se encontra com o rio Purus.

Segundo Mesquita, além da influência natural do clima, o impacto da atividade humana nas margens do rio Acre e o despejo de esgoto pelos municípios sem nenhum tipo de tratamento agravam a hidrologia do manancial.

“Essa estiagem prolongada veio mostrando o que o ser humano vem fazendo nesses anos ao longo do rio Acre. Mostrando o grau de impacto que vem se impondo ao rio. Por outro lado, a ausência do poder público é parte definitiva desse processo [de deterioração].”, diz Mesquita, que é professor da Universidade Federal do Acre (Ufac).

Ele complementa: “Existem as secretarias de Meio Ambiente para cuidar das florestas e das águas e eu falo também de orientar o homem. Mas parece que essa orientação não chega aos ribeirinhos e aos extrativistas para usarem estes recursos naturais com sabedoria”.

Em 2016 o rio Acre recebeu um volume baixo de águas por conta das chuvas aquém do normal para o período chuvoso, que no estado varia entre os meses de outubro e abril. A causa para isso foram os efeitos do grande El Niño, fenômeno que ganhou dos cientistas o apelido de “Godzilla” por sua forte intensidade provocada pelo aquecimento rápido do Oceano Pacífico.

Clodomir Mesquita diz que as margens do rio Acre têm sido impactadas pela pecuária. Florestas são derrubadas para dar lugar a pasto. E esta intervenção humana agrava a situação da bacia.

“Hoje ela não é mais uma bacia hidrográfica, passou a ser uma bacia leiteira. Esse progresso não foi conduzido com sabedoria, ele foi feito de qualquer jeito. A mata ciliar foi destruída, quebraram os barrancos com o desmatamento e o rio agora está aterrando”, explica o geógrafo.

 

O que diz o governo?

À Amazônia Real, o Departamento de Pavimentação e Saneamento (Depasa) do governo do Acre disse que instalou balsas flutuantes no meio do rio para captar água nos canais mais profundos para evitar o colapso no abastecimento da população de Rio Branco. Também construiu barragens para garantir o mínimo de captação das duas Estações de Tratamento de Água (ETA 1 e 2).

Edvaldo Magalhães, diretor-presidente do Depasa, afirmou que antes da intensificação da seca no rio a média de captação de água era de 1.500 litros por segundo. Nos últimos dias de julho a captação caiu para 1.300 litros por segundo. Segundo ele, as torres das duas Estações ETA I e II instaladas às margens do rio já não dão conta de captar o líquido. Em uma delas a estrutura foi desativada, sendo as bombas colocadas em flutuantes o único meio de sugar água para os tanques de filtragem.

 “Tivemos um recorde em julho, e para frente, quando se olha para os próximos meses, as previsões são de chuva abaixo das registradas em 2011. Então teremos uma seca recorde [em 2016]”, avalia Magalhães. Segundo o diretor, o uso dos flutuantes é a melhor maneira de evitar a interrupção no fornecimento de água para a população. Com as bombas externas, os engenheiros podem posicioná-las em áreas de maior profundidade do rio.

“Quando colocamos bombas sobre flutuantes nós podemos movimentá-las. Onde há um canal mais profundo nós movimentamos o flutuante para ter uma capacidade de captar a água. Saímos das bombas nas torres para as flutuantes. Isso significa que essa troca nos permite captar água numa lâmina maior, só que a gente perde capacidade de captação. Estamos produzindo 20% a menos do que nossa capacidade normal”, explica Magalhães.

De acordo com o diretor do Depasa, toda a estrutura disponível neste momento permitirá a captação no rio até a marca de 1,20 m. Questionado sobre a possibilidade de o manancial ficar abaixo deste volume, Edvaldo Magalhães diz ser esse um fato a não ser descartado. “Até o final de agosto, pelo o que está projetado, nós vamos ficar abaixo de um metro”, afirma ele.

Sobre um possível racionamento no fornecimento de água na capital, o diretor disse que poder ser uma alternativa. “Nós vamos trabalhar com campanhas de conscientização, de combate ao desperdício, para evitarmos o racionamento. Mesmo sem desperdício, com a lâmina d’água abaixo do um metro, será necessário o racionamento”, enfatiza Edvaldo Magalhães.

Com relação a estudos sobre a viabilidade de um novo aquífero localizado à margem direita do rio Acre para atender à população de Rio Branco, como sugeriu o geológico Marco Oliveira, o diretor-presidente Depasa classificou como “suposto aquífero” essa alternativa. “Fizemos perfurações profundas, a vazão é insignificante. Ele é inviável”, afirma.

De uma margem a outro o rio Acre está em seu nível mais baixo em 45 anos (Foto: Odair Leal/Amazônia Real)

De uma margem a outro o rio Acre está em seu nível mais baixo em 45 anos (Foto: Odair Leal/Amazônia Real)

 

Magalhães disse que as análises feitas pelo governo do Acre para um eventual uso do aquífero ocorreram em 2015. Ele informou que o estado obteve recursos do Ministério das Cidades para essa avaliação. Foram R$ 9 milhões liberados para o projeto, diz.

De acordo com ele, a quantidade de água encontrada no aquífero do segundo Distrito foi insuficiente para abastecer as cinco mil casas do maior conjunto habitacional de Rio Branco, a Cidade do Povo, localizado próximo ao aquífero.

Segundo Edvaldo Magalhães, no ano passado foram perfurados cinco poços, sendo que nenhum apresentou os resultados esperados. “Dos cinco poços perfurados tivemos uma vazão abaixo de 10 litros de água por segundo. E isso numa profundidade de 150 metros e no local apontado pelo estudo como o melhor”, afirma o diretor-presidente do Depasa, destacando que o projeto de um novo aquífero foi suspenso e os recursos destinados para a ampliação da captação da Estação de Tratamento de Água no rio Acre.

O diretor do Depasa negou que as estações de tratamento de esgoto estejam desativadas. Segundo ele, das quatro ETEs de Rio Branco, três estão em operação. Magalhães afirma que a capital dispõe de outras 70 estações para atender toda a cidade.

” Somos a capital da região Norte que mais trata esgoto. Mais de 60%. É claro que parte deste esgoto continua sendo jogado in natura. Não temos um nível desejado no Brasil de esgotamento. O Acre desenvolve o maior programa de saneamento integrado do Norte do país”, afirma o diretor.

A reportagem procurou a Secretaria de Meio Ambiente para saber quais políticas são desenvolvidas pelo governo para a recuperação das matas ciliares do rio Acre. Até o momento não houve retorno aos questionamentos enviados.

 

Queimadas

Incêndio na estrada Amadeu Barbosa no segundo Distrito de Rio Branco (Foto: Odair Leal/Amazônia Real)

Incêndio na estrada Amadeu Barbosa no segundo Distrito de Rio Branco (Foto: Odair Leal/Amazônia Real)

No Acre, a fumaça de incêndios florestais e em vegetação urbana e rural prejudicam a qualidade do ar, aliado a baixa umidade e temperaturas altas. De acordo com o Inpe, de janeiro a 4 agosto último foram registrados, no estado, 843 focos de queimadas. O mês mais crítico foi o de julho, quando ocorreu 533 focos.

“Os focos de calor em março, abril e maio tiveram quantidades maiores que a série histórica. As pastagens estão muito mais secas. Acredito que isso pode ser refletido de uma forma econômica muito forte, reduzindo a produtividade da agricultura e da pastagem. O impacto vai ser bem grande.”, revela Liana O. Anderson, do Cemaden.

 “A grande preocupação é quando chegar em setembro, historicamente o mês onde ocorre o pico das queimadas. É preciso saber como podemos nos organizar para evitar que tenhamos um grande desastre como foi 2005 e 2010 na região”, completa Liana Anderson.

Para o climatologista Gilvam Sampaio, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a vegetação no Acre está muito seca e o solo com umidade baixa. “Esses fatores levam a essa situação de uma condição crítica e sem perspectiva de mudança a curto prazo. O motivo do alerta de queimadas é porque estamos há vários meses com chuvas abaixo da média e isso secou a vegetação, o solo, e temos um potencial maior de queimadas se nenhuma medida efetiva do poder público for tomada”, enfatiza Sampaio.

Há 11 anos, a região do Acre já tinha enfrentado incêndios florestais em escala até hoje recorde. Para o ecólogo Foster Brown, da Ufac, as condições climáticas e de ambiente hoje são propícias para se projetar um impacto das queimadas superior a 2005, quando quase 10 mil focos de calor foram registrados.

“Nós temos praticamente o dobro dos focos de calor para este período quando comparados com 2005 e 2010. Em outras palavras, estamos bem pior em termos de foco de calor”, diz Brown.

“O quadro atual indica que estamos mais avançados do que 2005. O rio está mais baixo, os focos de calor estão mais altos”, completa ele. Para Brown, estes são os dois fatores que podem contribuir para 2016 ultrapassar 2005 como o pior para as queimadas na Amazônia.

De acordo com ele, somente se houver chuvas nos próximos dois meses este cenário de catástrofe não se concretiza. “Se não tivermos chuva podemos ter uma situação pior do que 2005”, afirma o ecólogo.

 

Restrição na navegação

Rio Madeira na fronteira entre o Rondônia e o Acre em 2014 (Foto: Secom/RO)

Rio Madeira na fronteira entre o Rondônia e o Acre em 2014 (Foto: Secom/RO)

Em 2014, a cheia do rio Madeira deixou cidades inteiras de Rondônia debaixo d’água. O fenômeno também provocou o isolamento do Acre com a BR-364 –única via de acesso rodoviário ao estado – completamente submersa. Agora, a situação é inversa no período da seca.

Com a estiagem na região sul da Amazônia, o volume baixo do rio Madeira levou a Marinha do Brasil a restringir a navegação no período noturno entre a capital Porto Velho e a cidade de Humaitá, no Amazonas. O motivo da restrição é que as embarcações podem se chocar com bancos de areia, pedações de troncos de árvores ou encalhar ao longo do Madeira.

A última medição feita pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), o nível do Madeira, em Humaitá, foi de 12,24 m – 0,47 m abaixo do valor observado no mesmo período em 1969 quando ocorreu a seca histórica. Já em Porto Velho, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), o rio estava em 3,01 metros nesta quinta-feira (4).

Militares da Delegacia Fluvial de Porto Velho detectaram vários “fundos baixos” ao longo do trajeto até Humaitá. No período da noite, por conta da dificuldade de visão, fica mais difícil os condutores das embarcações detectarem estes fundos, ou bancos de areia. A Hidrovia do Madeira é uma das principais rotas para o abastecimento de Manaus e outros municípios do Amazonas.

Por ela passam alimentos, combustíveis, passageiros e todo tipo de carga. A viagem entre Porto Velho e Manaus, que em condições normais, dura até quatro dias, hoje passa a ser feita até em oito, a depender das condições de navegabilidade.

“Já é corriqueiro nós adotarmos essa medida cautelar, preventiva no rio Madeira de só ter operação durante a noite. Ou seja, das embarcações, dos comboios, de só operarem durante o dia. De dia você consegue enxergar os bancos de areia porque o navegador já tem a ‘trilha’ dele. Só que de dia o rio ‘mexe’ muito, é um rio muito mexido, e à noite fica muito difícil de enxergar”, diz o capitão dos Portos da Amazônia Ocidental, capitão de mar e guerra Alfred Dombrow Júnior.

A Marinha tem feito monitoramentos em outros trechos do rio Madeira para, eventualmente, restringir a navegação como medida de segurança. Caso a vazante venha a se prolongar e afetar pontos mais acima, a Capitania dos Portos não descarta a possibilidade de vir a também limitar barcos de passageiros. “Se baixar demais [a restrição] vai valer para todo mundo porque a vida humana não tem preço”, diz o oficial.  

Leia também: Seca no Acre: em bairro de Rio Branco moradores ficam sem água nos poços artesianos

 

Os extremos do clima na Amazônia

A cheia virou atração turística em Rio Branco, Acre (Foto: MidiaNinja/2015)

A cheia virou atração turística em Rio Branco, Acre (Foto: MidiaNinja/2015)

Os extremos do rio Acre (Foto: Odair Leal/Amazônia Real/2016)

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