Uma reparação para Márcia Mura

"Essa vitória nunca foi só minha. Ela aconteceu porque muitas mulheres indígenas, parentes, amigos e apoiadores caminharam comigo. A atuação da advogada indígena Samara foi fundamental para mostrar que aquilo não era um problema individual, mas uma violência institucional", diz a educadora, que foi afastada, em 25 de agosto de 2021, por praticar a temática indígena na sala de aula da Escola Estadual Professor Francisco Desmorest Passos, no distrito de Nazaré, em Porto Velho (RO). Ela retornou à escola em 2025.

A professora Marcia Mura (Arquivo pessoal)
Amazonia Real Publicado em: 09/09/2026 às 09:00
Por da Amazônia Real
Metodologia
A reportagem relata a trajetória de resistência da educadora indígena Márcia Mura, que enfrentou racismo institucional e perseguição política em uma escola no distrito de Nazaré, em Rondônia. Após ser afastada em 2021 por implementar uma pedagogia voltada à afirmação identitária e confrontar autoridades, a professora enfrentou uma batalha jurídica de três anos e seis meses para retomar seu posto. As fontes detalham como práticas de apagamento cultural e visões etnocêntricas da educação motivaram sua remoção forçada do território ribeirinho. Através do apoio de comunidades tradicionais e de uma defesa jurídica especializada, sua reintegração é apresentada como uma vitória coletiva contra o etnocídio escolar. Atualmente, o retorno de Márcia simboliza um processo de reparação histórica, permitindo que saberes ancestrais voltem a ocupar o currículo oficial da região.
Citações
FRASES

"Quando cheguei à escola e vi a pintura da mulher indígena coberta de tinta branca, aquilo me impactou profundamente. Havia tanto espaço na parede para fazer outras pinturas. Por que apagar justamente a imagem de uma mulher indígena com duas crianças? Foi ali que eu disse que aquilo era uma prática etnocida e epistemicida." - Márcia Mura

"Infelizmente, tratar da afirmação indígena ainda é algo muito dolorido para muita gente. Alguns pais e professores se incomodavam porque eu propunha que os estudantes conversassem com os mais velhos, recuperassem suas histórias e reconhecessem a presença indígena na comunidade." - Márcia Mura.

“Eu não aceitei sair porque Nazaré não era apenas o meu local de trabalho. Era onde estava minha casa, meu roçado, meu espaço cultural e toda a minha vida construída ao longo dos anos. Eu não podia simplesmente abandonar aquele território." - Márcia Mura.

"Essa vitória nunca foi só minha. Ela aconteceu porque muitas mulheres indígenas, parentes, amigos e apoiadores caminharam comigo. A atuação da advogada indígena Samara foi fundamental para mostrar que aquilo não era um problema individual, mas uma violência institucional." - Márcia Mura.
Local de Cobertura
Luciene
Luciene Kaxinawá

Luciene Kaxinawá é a primeira jornalista e apresentadora indígena da TV Brasileira. Jornalista formada em 2019, é indígena do povo Huni Kuin (que significa 'povo verdadeiro)', também conhecido como Kaxinawá, que vive em territórios localizados entre a fronteira do Brasil com Peru. Iniciou na profissão em 2014 aos 18 anos como repórter em um canal temático da região Norte. Em sua trajetória, além de repórter, Luciene passou pela produção de conteúdo, edição de imagens, apresentação e supervisora de imagem em uma emissora afiliada à Rede Globo em Rondônia. Desde 2019 é colaboradora da agência Amazônia Real em Rondônia. Em 2020 foi correspondente na Amazônia pela CNN Brasil e colaborou com a revista VOGUE Brasil em uma edição especial sobre Amazônia onde recebeu uma premiação internacional pela edição. Também atuou em organizações indígenas e em 2022 fez vários trabalhos independentes. Atualmente é apresentadora no Canal Futura da Fundação Roberto Marinho.

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