O cerco aos quilombolas no Vale do Guaporé

Para a população da Comunidade Quilombola Forte Príncipe da Beira, em Rondônia, que resistiu ao abandono da Coroa Portuguesa e à pressão do Exército Brasileiro, uma reserva ambiental, criada pelo governo estadual em 2018, representa um obstáculo crítico no caminho para a titulação definitiva, esperada para ser decretada pelo governo Lula ainda neste ano de 2026.

Comunidade Quilombola do Forte Príncipe da Beira, no Vale do Guaporé (Foto: Marcela Bonfim/Amazônia Real/2018).
Amazonia Real Publicado em: 20/05/2026 às 17:19
Por da Amazônia Real
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Citações

“É ruim para a gente poder fazer o extrativismo e caçar. A vive da caça, temos que pedir autorização e avisar quando a gente vai entrar, falar quantas sacas de castanha estamos tirando. A gente sabe que somos donos do território desde sempre e a gente tem que pedir autorização para cuidar, para fazer o extrativismo dentro da comunidade e é bem chato, é bem ruim. Até porque chegamos primeiro do que eles” - Nucicleide da Paz Pinheiro, presidente da 


“Meu irmão mais velho foi um dos primeiros líderes do quilombo Príncipe da Beira. O Elvis lutou muito por isso. A minha família, meus irmãos, minha mãe, meus sobrinhos, a gente está sempre nessa luta para ver se a gente consegue titular nosso território. E viva os nossos povos tradicionais, viva a nossa Amazônia. Viva Elvis Pessoa, em memória!” - Angel Cayaduro, liderança quilombola


“Estamos concluindo o georreferenciamento da área do território quilombola visando a titulação da comunidade até o final deste ano. Além do geo, também iremos entregar para a comunidade o Cadastro Ambiental Rural [CAR] e o diagnóstico de uso da área quilombola” - William Coimbra, coordenador de Regularização de Territórios Quilombolas do Incra em Rondônia


“Isso criou base para o desenvolvimento de uma economia de subsistência que a gente vê até hoje, baseada em caça, pesca, planta, pequenas plantações, colheita da castanha, por exemplo. O quilombo tem uma organização baseada na solidariedade e todas as decisões lá são coletivas” - Carlos Augusto Zimpel, arqueólogo e pesquisador da Universidade Federal de Rondônia (UNIR)


 

LINKS


 

https://amazoniareal.com.br/exercito-e-remanescentes-quilombolas-disputam-area-no-vale-do-guapore-em-rondonia/


 

https://mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br/conflito/ro-comunidade-de-remanescentes-de-quilombo-forte-principe-da-beira-ja-reconhecida-e-registrada-pela-fundacao-cultural-palmares-fcp-ainda-aguarda-pela-demarcacao-de-seu-territorio/#contexto_ampliado


 

https://amazoniareal.com.br/real-forte-sera-revitalizado-e-concorre-ao-titulo-de-patrimonio-mundial-da-unesco/


 

https://www.gov.br/iphan/pt-br/assuntos/noticias/comunidade-quilombola-forte-principe-da-beira-ro-recebe-oficinas-do-programa-conviver


 

https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WBjixnnjJWrDXsA2WvElj65rrZ4nkNM-u5LclRV0lGs/edit?gid=680278480#gid=680278480


 

https://amazoniareal.com.br/especiais/com-bolsonaro-apenas-19-comunidades-quilombolas-da-amazonia-legal-foram-tituladas/


 

https://portal.ifro.edu.br/ultimas-noticias/17332-ifro-lanca-projeto-geoquilombola-em-comunidade-quilombola-de-costa-marques


 

 

https://amazoniareal.com.br/exercito-diz-que-pelotao-existe-antes-de-comunidade-e-que-faz-acoes-sociais/


 

https://amazoniareal.com.br/amazonia-real-lanca-documentario-aquarteladas-sobre-voz-das-mulheres-do-quilombo-forte-principe/


 

https://amazoniareal.com.br/incra-comeca-estudo-para-regularizar-o-quilombo-do-forte-em-rondonia/


 

https://www.gov.br/incra/pt-br/assuntos/governanca-fundiaria/passo_passo_quilombola_incra.png


 

https://rondoniaovivo.com/coluna/carlosazimpel//2025/04/25/elvis-nao-morreu-homenagem-a-elvis-cayaduro-pessoa-por-carlos-a-zimpel.html


 

https://www.sedam.ro.gov.br/post/cuc-rds-bom-jardim


 

https://www.gov.br/incra/pt-br/assuntos/noticias/entrega-de-titulos-quilombolas-marca-abertura-da-3a-conferencia-nacional-de-desenvolvimento-rural-sustentavel-e-solidario


 

https://rondonia.ro.gov.br/real-forte-principe-da-beira-completa-247-anos-de-existencia-turismo-e-fomentado-pelo-estado-na-regiao/#:~:text=Considerado%20a%20maior%20edifica%C3%A7%C3%A3o%20militar%20portuguesa%20constru%C3%ADda,distante%20730%20km%20da%20capital%20Porto%20Velho


 

https://www.mediapress.com.br/mpf-inspeciona-real-forte-principe-da-beira-em-operacao-historica-para-proteger-patrimonio-e-e-reforca-papel-de-comunidade-quilombola-na-preservacao-historica/#:~:text=Mais%20do%20que%20um%20monumento%20colonial%2C%20o,seu%20compromisso%20com%20a%20preserva%C3%A7%C3%A3o%20do%20local


 

https://www.sps.ce.gov.br/2020/07/28/tereza-de-benguela/


 

https://cpisp.org.br/forte-principe-da-beira/


 

https://cptnacional.org.br/2024/05/03/comunidade-quilombola-rondonia/


 

http://site.mast.br/hotsite_vsppa/pdf/secao-3/12-louise-cardoso-de-mello-final.pdf


 

https://www.gov.br/mda/pt-br/noticias/2026/04/governo-do-brasil-assina-mais-dois-decretos-de-titulacao-de-territorios-quilombolas


 

https://www.gov.br/iphan/pt-br/assuntos/noticias/real-forte-principe-da-beira-ro-completa-75-anos-de-tombamento-pelo-iphan

Nicoly
Nicoly Ambrosio

É jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e fotógrafa independente na cidade de Manaus. Como repórter, escreve sobre violações de direitos humanos, conflitos no campo, povos indígenas, populações quilombolas, racismo ambiental, cultura, arte e direitos das mulheres, dos negros e da população LGBTQIAPN+ do Norte. Em seu trabalho fotográfico, utiliza suportes analógicos, digitais e experimentais para registrar cenas da Amazônia urbana e de manifestações artísticas de rua marginalizadas, como a pixação e o graffiti. Desde 2018, participa de exposições de arte independentes e coletivas em Manaus. Já expôs trabalhos fotográficos no 10º Festival de Fotografia de Tiradentes (Tiradentes/MG, 2020) e na Galeria do Largo – Espaço Mediações (Manaus/AM, 2020). Recebeu o 1º Prêmio Neusa Maria de Jornalismo (2020), o Prêmio Sebrae de Jornalismo – AM na categoria Texto (2024) e o Prêmio Megafone de Ativismo na categoria Reportagem de Mídia Independente (2025). De 2020 a 2022, participou do projeto de Treinamento no Jornalismo Independente e Investigativo da Amazônia Real.

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