Dragagem ameaça o rio Tapajós, no Pará

Organizações e lideranças indígenas denunciam que a obra de manutenção no rio Tapajós avança sem licenciamento ambiental e consulta prévia, ampliando a pressão do agronegócio sobre povos e territórios tradicionais

8º Grito Ancestral, indígenas durante manifestação no rio Tapajós contra a hidrovia e a Ferrogrão, em novembro de 2025 (Foto Reprodução redes sociais @midiaindigena).
Amazonia Real Publicado em: 22/01/2026 às 12:30
Por da Amazônia Real
Citações

“Quando o Governo [Federal] decreta a privatização e a morte dos nossos rios, e nega um direito à consulta, ele viola uma legislação internacional que foi assinada inclusive pelo próprio presidente Lula, que agora é o chefe do executivo e que esse mesmo presidente não cumpre com esse tratado internacional, que para nós é a nossa principal arma legislativa que assegura os nossos direitos” - Auricelia Arapiun, liderança indígena do Baixo Tapajós


 

“Sem o rio a gente não tem como a gente continuar existindo aqui. Destruir o rio é dizimar os povos indígenas. Porque é do rio que nós tiramos nossa comida. É no rio que nós vamos em busca de pegar um tracajá, um surubim, é a nossa alimentação que sempre esteve aqui. E com a dragagem do rio, os peixes vão se afugentar, vai acabar com a sua reprodução. A gente olha com grande preocupação e a gente não sabe o impacto que vai ter, mas a gente sabe que não vai ser bom, que vai alterar nosso modo de vida” - Gilson Tupinambá, cacique-geral das 28 aldeias do povo Tupinambá no Baixo Tapajós 


 

“A dimensão das dragagens é enorme, principalmente na flora aquática que é tão importante para os peixes, pela retirada de areia e com ela algas, limos entre outros que servem de alimento e abrigo para todas as espécies de peixes, sendo a maior fonte de alimentação de comunidades e povos indígenas e das cidades na região. Então, [a dragagem] afetará a qualidade e o ciclo de reprodução da pesca, um efeito dominó para todos, desde povos na beira do rio até quem consome na cidade” - Johnson Portela, assessor do GT Infra e militante do Movimento Tapajós Vivo 

Nicoly
Nicoly Ambrosio

É jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e fotógrafa independente na cidade de Manaus. Como repórter, escreve sobre violações de direitos humanos, conflitos no campo, povos indígenas, populações quilombolas, racismo ambiental, cultura, arte e direitos das mulheres, dos negros e da população LGBTQIAPN+ do Norte. Em seu trabalho fotográfico, utiliza suportes analógicos, digitais e experimentais para registrar cenas da Amazônia urbana e de manifestações artísticas de rua marginalizadas, como a pixação e o graffiti. Desde 2018, participa de exposições de arte independentes e coletivas em Manaus. Já expôs trabalhos fotográficos no 10º Festival de Fotografia de Tiradentes (Tiradentes/MG, 2020) e na Galeria do Largo – Espaço Mediações (Manaus/AM, 2020). Recebeu o 1º Prêmio Neusa Maria de Jornalismo (2020), o Prêmio Sebrae de Jornalismo – AM na categoria Texto (2024) e o Prêmio Megafone de Ativismo na categoria Reportagem de Mídia Independente (2025). De 2020 a 2022, participou do projeto de Treinamento no Jornalismo Independente e Investigativo da Amazônia Real.

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