Origem e metodologia: Reportagem sugerida pela repórter. O texto aborda a denúncia de organizações socioambientais, como o Movimento Tapajós Vivo e o GT Infraestrutura e Justiça Socioambiental, contra a obra de dragagem do Rio Tapajós, no Pará. A dragagem está sendo planejada sem licenciamento ambiental e sem consulta prévia a povos indígenas, ribeirinhos e comunidades tradicionais. Em 23 de dezembro de 2025, o Governo Federal publicou edital de licitação no valor de R$74,8 milhões para a dragagem de manutenção da hidrovia entre os municípios de Santarém e Itaituba, sob coordenação do Ministério de Portos e Aeroportos e execução do DNIT. Considerada estratégica para a logística regional, a obra é alvo de questionamentos do Ministério Público Federal e de entidades socioambientais, que alertam para a ausência de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) adequados, além dos riscos socioambientais para os territórios tradicionais da região.
Apuração: A apuração foi realizada de forma remota, com entrevistas conduzidas por telefone e Whatsapp com a liderança indígena Auricélia Arapiun, da Coiab; Johnson Portela, do Movimento Tapajós Vivo e GT Infra; e Gilson Tupinambá, cacique do povo Tupinambá. Também foram consultados, por e-mail, o MPF, Semas/PA, Dnit e Ministério de Portos e Aeroportos para esclarecimentos sobre o caso. Foram retirados relatos de manifesto público do Povo Borari sobre o caso, por meio das redes sociais da Associação Iwipurãga.
Dragagem ameaça o rio Tapajós, no Pará
Organizações e lideranças indígenas denunciam que a obra de manutenção no rio Tapajós avança sem licenciamento ambiental e consulta prévia, ampliando a pressão do agronegócio sobre povos e territórios tradicionais
Metodologia
Citações
“Quando o Governo [Federal] decreta a privatização e a morte dos nossos rios, e nega um direito à consulta, ele viola uma legislação internacional que foi assinada inclusive pelo próprio presidente Lula, que agora é o chefe do executivo e que esse mesmo presidente não cumpre com esse tratado internacional, que para nós é a nossa principal arma legislativa que assegura os nossos direitos” - Auricelia Arapiun, liderança indígena do Baixo Tapajós
“Sem o rio a gente não tem como a gente continuar existindo aqui. Destruir o rio é dizimar os povos indígenas. Porque é do rio que nós tiramos nossa comida. É no rio que nós vamos em busca de pegar um tracajá, um surubim, é a nossa alimentação que sempre esteve aqui. E com a dragagem do rio, os peixes vão se afugentar, vai acabar com a sua reprodução. A gente olha com grande preocupação e a gente não sabe o impacto que vai ter, mas a gente sabe que não vai ser bom, que vai alterar nosso modo de vida” - Gilson Tupinambá, cacique-geral das 28 aldeias do povo Tupinambá no Baixo Tapajós
“A dimensão das dragagens é enorme, principalmente na flora aquática que é tão importante para os peixes, pela retirada de areia e com ela algas, limos entre outros que servem de alimento e abrigo para todas as espécies de peixes, sendo a maior fonte de alimentação de comunidades e povos indígenas e das cidades na região. Então, [a dragagem] afetará a qualidade e o ciclo de reprodução da pesca, um efeito dominó para todos, desde povos na beira do rio até quem consome na cidade” - Johnson Portela, assessor do GT Infra e militante do Movimento Tapajós Vivo
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Parabéns pelo lindo trabalho artístico, pela criatividade e pela coragem. Já estive em Santarém , jé estive em Alter do Chão, carrego memórias indeléveis em minha retina.
Conheço Manaus, já estive em alguns trechos do Rio Itapajós, e trago a minha solidariedade ao Sistema Vida que resiste na Amazônia. Gratidão.