Ibama identifica uso do fogo para ampliar desmatamento e pastagens no Amazonas

As investigações foram intensificadas pela Polícia Federal e Abin para apurar suspeitas de que houve uma ação coordenada como um "o dia do fogo". Em coletiva, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco disse que há "relatos de pessoas, inclusive, em veículos, caminhonetes, jogando garrafas com combustível nas florestas ao longo de estradas. Temos relatos de pessoas que, quando os bombeiros ou os brigadistas estão apagando o fogo, estão dizendo: 'podem acabar de apagar e quando você for embora, nós vamos botar fogo de novo'. Então estamos vendo uma ação impressionante de uma ação deliberada”, afirmou.

Queimadas na região de Autazes, em 11 de outubro, região com mais focos de incêndio no Amazonas (Foto: Rogério Cassimiro/MMA)
Amazonia Real Publicado em: 14/10/2026 às 15:02
Por da Amazônia Real
Metodologia
 

Origem e metodologia: A reportagem investigou o avanço dos incêndios florestais no Amazonas, os indícios de uso criminoso do fogo para favorecer o desmatamento e os impactos da fumaça na qualidade do ar em Manaus. Também apurou as medidas de combate aos incêndios, a previsão de chuvas e a destinação e execução dos R$ 45 milhões contratados para estruturar o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas. 


Apuração: A apuração foi realizada de forma remota, baseada em entrevista com o presidente do Ibama, Jair Schmitt, análise de dados do Inpe sobre focos de queimadas, informações do Inmet sobre a previsão de chuvas e respostas oficiais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima sobre os recursos do Fundo Amazônia destinados ao Amazonas para o combate do fogo.



Este texto foi atualizado às 21h para incluir entrevista do Ministro João Paulo Capobianco.


Citações

“Praticamente todo incêndio que tem ocorrido aqui no estado é de origem humana. Mas o que a gente tem percebido é que várias propriedades e mesmo em áreas pública, está sendo colocado fogo deliberadamente para degradar a floresta e depois transformar isso em desmatamento. Normalmente para atividade pecuária, é o mais comum. As pessoas desmatam para a criação de gado na região” - Jair Schmitt, presidente do Ibama.


“As temperaturas elevadas, a baixa umidade do ar e os períodos prolongados sem chuva significativa favorecem o ressecamento do solo e da vegetação. A vegetação seca torna-se mais combustível, facilitando a propagação dos incêndios, que também pode ser intensificada pela ação dos ventos”  - Inmet.


 

“O montante cobre 5 auto bombas tanque florestais, 16 caminhonetes com kits acopláveis e 453 conjuntos de capacete, botas e luvas. Naquela data, os veículos estavam em fabricação. A aplicação da segunda parcela constará da prestação de contas prevista para o fim de 2026” - MMA.

Local de Cobertura
Nicoly
Nicoly Ambrosio

É jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e fotógrafa independente na cidade de Manaus. Como repórter, escreve sobre violações de direitos humanos, conflitos no campo, povos indígenas, populações quilombolas, racismo ambiental, cultura, arte e direitos das mulheres, dos negros e da população LGBTQIAPN+ do Norte. Em seu trabalho fotográfico, utiliza suportes analógicos, digitais e experimentais para registrar cenas da Amazônia urbana e de manifestações artísticas de rua marginalizadas, como a pixação e o graffiti. Desde 2018, participa de exposições de arte independentes e coletivas em Manaus. Já expôs trabalhos fotográficos no 10º Festival de Fotografia de Tiradentes (Tiradentes/MG, 2020) e na Galeria do Largo – Espaço Mediações (Manaus/AM, 2020). Recebeu o 1º Prêmio Neusa Maria de Jornalismo (2020), o Prêmio Sebrae de Jornalismo – AM na categoria Texto (2024) e o Prêmio Megafone de Ativismo na categoria Reportagem de Mídia Independente (2025). De 2020 a 2022, participou do projeto de Treinamento no Jornalismo Independente e Investigativo da Amazônia Real.

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