Cultura

Barbara Arisi é a nova colunista da Amazônia Real

Barbara Arisi com Tumi Uisu Paulo Matis no Fórum Social Mundial, em Belém, Pará (Foto: Domenico Pugliese/2009)
03/04/2017 20:36

Barbara Arisi com o professor Makë Matis no Fórum Social Mundial, em Belém, Pará (Foto: Domenico Pugliese/2009)

 

A jornalista e antropóloga Barbara Arisi é a nova colunista da agência de jornalismo independente Amazônia Real em substituição a ex-colunista Mary Cohen, advogada e militante dos direitos humanos, que deixou o site para seguir outros projetos. Barbara nasceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Com um sorriso sempre nos lábios, ela brinca que “sou ex-gaúcha pois me apaixonei pela Amazônia e, para os povos da floresta, gaúcho é sinônimo de desmatamento, de soja e gado. Do Sul, gosto da erva mate, que Nhanderu, deus verdadeiro do universo cosmológico Guarani, trouxe para o seu povo e eles nos ensinaram a tomar.”

Barbara é uma cidadã do mundo. Já morou em cidades do Sul ao Norte do Brasil, vivendo em Foz do Iguaçu (PR), Florianópolis (SC), São Paulo (SP) e Manaus (AM); e viveu também em Amsterdam, Maastricht e Hoorn (Holanda) e em Londres, no Reino Unido. Atualmente mora com a filha em Hoorn.

Como jornalista, formada em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), Barbara Arisi trabalhou no jornal Zero Hora. No ano 2000 fez o site  www.nomade.com.br  sobre suas viagens pela América do Sul.

A carreira acadêmica começou com o mestrado e doutorado pela Universidade Federal de Santa Catarina. Fez estágio doutoral pela Universidade de Oxford, no Reino Unido. Ela é professora concursada pela Universidade Federal da Integração-Latino Americana, em Foz do Iguaçu (PR). É também pesquisadora visitante na Vrije Universiteit Amsterdam, onde   estuda   manejo de resíduos sólidos (plásticos e orgânicos).  

No Brasil, Barbara Arisi trabalhou na campanha do Greenpeace Amazônia pela criação da Reserva Extrativista de Porto de Moz e da Verde para Sempre, no Pará, em 2003. Daí se apaixonou pela Amazônia e o seu povo.

Barbara Arisi com Mario Marubo na guerra do barro no rio Ituí, na TI Vale do Javari. (Foto: Aldenei Marubo)

Barbara com Mario Marubo no rio Ituí, no Amazonas (Foto: Aldenei Marubo)

 

“Considero a Floresta Amazônica minha casa, pois fui adotada por um povo indígena, onde me chamam de irmã e de filha. Tenho grande orgulho de falar a língua Matis, do tronco linguístico Pano e de ter vivido na Terra Indígena Vale do Javari (AM) por mais de um ano”, diz Barbara, que há 14 anos faz pesquisas no Vale do Javari. Em 2006 e 2009 ela recebeu financiamento da Capes e do CNPq.

Em 2011, produziu um diagnóstico sobre saúde no Vale do Javari para o Instituto Socioambiental (ISA) e o Centro de Trabalho Indigenista (CTI). Com a equipe da cineasta Céline Cousteau trabalha para o documentário Tribes on the Edge desde 2012. O filme deve ficar pronto em 2017. Leia o depoimento de Barbara Arisi à Amazônia Real:

“Quase morri certa feita de uma picada de cobra. Como aprendi com os Matis que as cobras só picam quem elas escolhem, optei por seguir o caminho do xamanismo e às vezes eu tomo ayahuasca para me encontrar com as forças desincorporadas, poderes que nem sempre habitam os corpos. Tenho orgulho de ter muitas e muitos amigos indígenas de diversos outros povos que vivem na Amazônia, e também no Sul do continente como os Mapuche e os Guarani. E, entre minhas amigas, ter algumas que trabalham com os indígenas do Norte como os Inuit e os Sami.

Sinto-me muito honrada com a oportunidade de poder escrever artigos no site da Agência Amazônia Real pois é um dos canais digitais que mais admiro. Aqui, há informação de qualidade, no rumo claro na defesa dos direitos daquelas pessoas que vivem na floresta e nas cidades amazônicas e um ativismo responsável que aponta soluções e caminhos possíveis para que a floresta fique em pé e viva, abrigando todos os bichos, as plantas e todos os seres que dela dependem, incluindo o povo que vive em outras latitudes.

O planeta precisa da Amazônia como um bioma sadio. Nos artigos vou contar histórias e narrativas com e sobre os povos da floresta, em especial, e também sobre a vida urbana. Quero escrever de um modo que dialogue com a riqueza da oralidade local e, ao mesmo tempo, traga informações cosmopolitas, já que os povos da Amazônia circulam por diversos patamares do cosmos e vários extratos da floresta e das águas.

Como minha vida circula entre a Amazônia, o Sul da América Latina e a Europa, espero poder reunir histórias que unam esses lugares e essas pessoas.

Procurarei traduzir a coluna para que seja publicada em português e em inglês para dar acesso a mais leitores sem precisar recorrer aos tradutores digitais. Gostaria de mostrar como a Amazônia é cosmopolita, contemporânea e magnífica, e dar visibilidade aos problemas que enfrentamos para manter a floresta viva.

Sempre que encontrar, compartilharei ideias e soluções que diferentes povos têm ou desenvolvem para favorecer a vida da floresta e dos povos que vivem nela e dela dependem, incluindo os gringos e as gringas. Essa coluna tenta oferecer uma ponte entre a Amazônia, o Sul da América e a Europa.”

 

Leia a coluna de estreia aqui: Ayahuasca ensina na Europa

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