Manaus sufoca com o ar mais tóxico do mundo

A fumaça dos incêndios florestais atinge limites de poluição perigoso e insalubre para a saúde humana. A cidade amanheceu sob uma densa névoa que elevou a poluição ao índice de 693 AQI+, superando níveis críticos internacionais como o de Singapura (222 AQI+). A concentração de material particulado (MP2.5) atingiu 592 µg/m³, o que equivale a cerca de 40 vezes o limite diário de segurança recomendado pela OMS. A Fiocruz recomenda que a população permaneça em casa com portas e janelas fechadas. A Polícia Federal, a Abin e o Ibama investigam indícios da ação “dia do fogo”, na qual criminosos se articulam via WhatsApp para incendiar a floresta. O Ministério do Meio Ambiente informou que suspeitos já foram identificados e que as prisões devem ocorrer em breve.

Manaus amanheceu mais uma vez encoberta pela fumaça das queimadas criminosas nos municípios de Careiro, Iranduba, Autaze,s neste sábado (17/10/2026) (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real).
Amazonia Real Publicado em: 17/10/2026 às 10:38
Por , e da Amazônia Real
Metodologia
A reportagem da Amazônia Real foi elaborada por meio da combinação de dados em tempo real, monitoramento de satélites, entrevistas com cientistas e apuração com autoridades governamentais e policiais. A equipe utilizou medições da plataforma internacional IQAir para aferir o índice de poluição (693 AQI+) no início da manhã e cruzou esses dados com os registros da plataforma Selva, capturados pelo epidemiologista Jesem Orellana (Fiocruz Amazônia), detalhando a concentração de material particulado (592 µg/m³) e a relação com os limites de segurança da OMS. Entrevistas com Jesem Orellana (Fiocruz Amazônia), que forneceu alertas epidemiológicos, orientações de proteção à população vulnerável e críticas à falta de planejamento das autoridades estaduais. Consultou a pesquisadora Karla Longo (Inpe), que analisou imagens de satélite para explicar como a fumaça resulta do desmatamento e do acúmulo de biomassa (madeira e galhos), potencializados pela estiagem e pelo fenômeno El Niño.

Citações

“A cidade de Manaus vive contornos da tragédia ambiental e sanitária dramáticos, pois os valores de MP2.5 são próximos a gravíssimos, 592 por m³ ou cerca de 40 vezes além do tolerável. Este é provavelmente, o pior dia do ano, em termos de fumaça tóxica!” - Jesem Orellana (Pesquisador e epidemiologista da Fiocruz Amazônia).


 

“Hoje, além desses sintomas, meu coração está palpitando e a visão ardendo. Vejo fumaça dentro da minha casa” - Vitor Maia, artista visual.


 

“Certamente é fogo intencional. O que acontece é que a estiagem e o El Niño forte propiciam as condições para que esse fogo seja colocado e mantido.” - Karla Longo (Pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - Inpe).

Local de Cobertura
Kátia
Kátia Brasil

Kátia Brasil é co-fundadora e editora executiva da agência de jornalismo independente e investigativo Amazônia Real, com sede em Manaus (AM). Recém formada pela Faculdade Hélio Alonso, no Rio de Janeiro, foi morar na Amazônia no início do ano de 1990. Trabalhou nas TVs Educativa e Cultura e nos jornais O Globo, A Gazeta de Roraima, O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo. Entre os prêmios que ganhou estão o Esso Regional Norte 1991 e Women Journo Heroes (#JournoHeroes), da International Women’s Media Foundation (IWMF), em 2019, Prêmio Abraji, em 2020, Vladimir Herzog e Comunique-se, ambos em 2021. É uma das jornalistas brasileiras +Admiradas Negras da Imprensa Brasileira, em 2024. É diretora editorial do Projor/Observatório da Imprensa. Conselheira do Tornavoz e RBJA, e membra da Comissão da ABI Ambiental. Foi eleita em 1o. lugar Região Norte do Prêmio TOP 100 +Admirados Jornalistas Brasileiros. Integra o forbiddenstories.org, o Fórum Permanente das Mulheres de Manaus (FPMM) e o Coletivo Mães Pela Diversidade em defesa das pessoas LGBTQIAPN+. ([email protected])

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