A invisibilidade do encarceramento indígena no Amazonas
As violações contra indígenas no sistema criminal amazonense são profundas e ocorrem desde o processo judicial até o cumprimento da pena, incluindo: negação da identidade étnica; barreiras linguísticas; falta de assistência; condições degradantes em delegacias; violência física e sexual extrema; e apagamento cultural e espiritual. A Apib protocolou um habeas corpus coletivo no STF buscando garantir o regime de semiliberdade ou prisão domiciliar para indígenas condenados.
Metodologia
Apuração: A apuração foi realizada de forma remota por meio de entrevistas por telefone e WhatsApp com Ellen Sateré-Mawé, assessora jurídica da Apiam; Ricardo Terena, assessor jurídico da Apib; e o defensor público João Gustavo Fonseca, da DPE-AM. Além disso, houve análise de documentos públicos, levantamento de dados oficiais do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), consulta à legislação e solicitação de informações à Funai, COIAB, Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP) e Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM). Até a publicação da reportagem, SEAP e SSP-AM não haviam respondido aos questionamentos.
Citações
“Nossos parentes ficam nas delegacias em condições degradantes, porque a delegacia não tem estrutura de presídio. Se há previsão de um atendimento médico, não tem; se precisa de uma alimentação diferenciada por conta de algumas comorbidades, como diabetes ou pressão, também não tem. É um descaso muito grande” - Ellen Sateré-Mawé, assessora jurídica da Apiam
“Raramente se permitem perícias antropológicas, que visam garantir julgamento mais justo, e mais raramente ainda mecanismos próprios da comunidade indígena são adotados pelo Sistema de Justiça, no caso de punição de pessoa indígena. Mesmo a adequada participação no processo criminal às vezes é obstaculizada, pois alguns juízes, alegando falta de recursos do Judiciário para deslocar-se até às aldeias e comunidades mais distantes, deixam de garantir a intimação pessoal dos réus” - João Gustavo Fonseca, defensor público do Estado do Amazonas
“O sistema judiciário brasileiro acaba ignorando plenamente a questão da identidade indígena. Por mais que a pessoa se declare indígena, fale sobre a necessidade de um laudo antropológico, fale sobre a necessidade de ter um acompanhamento de um tradutor, essa identidade é negada sob o argumento de que a pessoa está usando telefone, trabalha, tem CPF, sabe escrever” - Ricardo Terena, assessor jurídico da Apib
LINKS
https://apiboficial.org/files/2026/05/HC-coletivo.pdf
https://cimi.org.br/2020/10/encarceramento-povos-indigenass/
https://www.poder360.com.br/poder-justica/pgr-pede-mais-dados-em-acao-sobre-indigenas-presos
https://educa.ibge.gov.br/criancas/brasil/2848-nosso-povo/22324-os-indigenas-no-censo-2022.html
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/2959
https://www.poder360.com.br/poder-justica/pgr-pede-mais-dados-em-acao-sobre-indigenas-presos/
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