Adaptação climática é por conta própria no Amazonas

Enquanto o governo estadual elabora o plano de adaptação climática, comunidades indígenas e ribeirinhas criam estratégias independentes, e com os próprios recursos, para enfrentar a seca e calor agravados pelo ‘Super El Niño’. Eles também sentem os impactos dos crimes ambientais dos desmatamentos, das queimadas e da fumaça tóxica, no entorno de Manaus e na região sul do estado - área de influência da BR 319. O governo Lula enviará brigadistas e um helicóptero com helibalde (reservatório flexível) para combater o fogo, mas o governo de Roberto Cidade dispensou os combatentes do Projeto de Resposta em Ações Integradas para Atuação em Situações de Desastres (Respad), segundo o Ministério do Meio Ambiente.

Duas pessoas passam de bicicleta pela estrada, com cenário de queimada ao fundo, no entorno da rodovia Manoel Urbano (AM-070), em Cacau Pirêra. (Foto: Raphael Alves/Amazônia Real)
Amazonia Real Publicado em: 02/10/2026 às 14:50
Por da Amazônia Real
Metodologia
Origem e metodologia: A reportagem surgiu a partir da apuração sobre a falta de um Plano Estadual de Adaptação às Mudanças Climáticas no Amazonas e os impactos já sentidos por comunidades tradicionais ribeirinhas e de povos indígenas. A investigação parte do Lago do Jatuarana, na zona rural de Manaus, e busca entender como os moradores estão lidando com as mudanças no clima. O objetivo é confrontar as estratégias criadas pelas comunidades com as ações e políticas públicas existentes.
Apuração: A apuração foi realizada de forma remota e incluiu entrevistas com lideranças da comunidade Lago do Jatuarana, representada por Jeane Cunha; e da aldeia Jacaré, na Terra Indígena Kwatá-Laranjal, representada por Elivane Munduruku e por Maria Natalícia Munduruku. Também foram procurados o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Ministério Público Federal (MPF) e a SEMA para esclarecer a elaboração e a implementação de planos de adaptação climática no estado e nos municípios amazonenses.
Citações
“As nossas plantas estão morrendo com o calor extremo. Está com mais de meses que não chove e assim o calor toma conta prejudicando o ar, facilitando mais queimadas na natureza. A nossa grande preocupação é com o meio ambiente” - Elivane Munduruku
“A gente pede esse apoio das autoridades, para que tomem providências diante das queimadas. Cuidando bem da natureza, vamos ter uma vida saudável e tranquila” - Maria Natalícia Munduruku
“Quando eles aparecem, já está terminando a seca. Nós precisamos muito de apoio. O que eles precisam é sair dos gabinetes e vir para as áreas rurais ribeirinhas, para ver as dificuldades que o povo sofre na zona rural” - Jeane Cunha
“Também não podemos ignorar que esse tipo de exposição pode afetar de forma desproporcional outros subgrupos, como populações vulneráveis residentes em municípios ou territórios com precária rede de atenção à saúde, quase todos do interior do Amazonas, incluindo indígenas e ribeirinhos, os quais, muitas vezes, sequer têm acesso oportuno e de qualidade aos serviços de saúde” - Jesem Orellana
“O objetivo é fazer com que o risco climático seja considerado de forma efetiva nas decisões sobre áreas como desenvolvimento urbano, infraestrutura, recursos hídricos, saúde e proteção da população, fortalecendo a capacidade dos territórios de se preparar para os impactos da mudança do clima” - MMA

LINKS

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https://portal.inmet.gov.br/noticias/segundo-a-noaa-el-ni%C3%B1o-pode-ser-o-mais-intenso-desde-1950

https://amazoniareal.com.br/comunidades-exigem-adaptacao-climatica-no-amazonas/

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https://www.acritica.com/geral/el-ni-o-plano-estadual-contra-crise-climatica-so-deve-sair-em-setembro-1.409551

https://www.gov.br/mma/pt-br/composicao/smc/plano-clima-1

https://valor.globo.com/brasil/noticia/2026/03/16/governo-lanca-plano-clima-com-orcamento-de-r-275-bilhoes-em-2026.ghtml

https://amazoniareal.com.br/comunidades-exigem-adaptacao-climatica-no-amazonas/

https://amazoniareal.com.br/regularizacao-fundiaria-no-jatuarana-e-parcial-11-familias-querem-o-reconhecimento-dos-titulos-centenarios/

https://data.inpe.br/queimadas/situacao_atual/

https://www.gov.br/mma/pt-br/composicao/smc/adaptacidades-1

https://mpc.am.gov.br/2026/08/com-avanco-das-queimadas-mpc-am-cobra-do-estado-reforco-das-acoes-contra-os-impactos-do-el-nino/

https://g1.globo.com/am/amazonas/eleicoes/2026/noticia/2026/09/30/incendio-florestal-em-itacoatiara-chega-ao-11o-dia-e-fumaca-se-espalha-pela-cidade.ghtml

https://radioriomarfm.com.br/incendio-em-area-de-vegetacao-no-iranduba-deixa-distrito-de-cacau-pirera-coberto-por-fumaca/

https://jornal.usp.br/atualidades/material-particulado-fino-e-o-maior-vilao-da-ma-qualidade-do-ar-global/

https://g1.globo.com/am/amazonas/eleicoes/2026/noticia/2026/09/30/incendio-florestal-em-itacoatiara-chega-ao-11o-dia-e-fumaca-se-espalha-pela-cidade.ghtml

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Nicoly
Nicoly Ambrosio

É jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e fotógrafa independente na cidade de Manaus. Como repórter, escreve sobre violações de direitos humanos, conflitos no campo, povos indígenas, populações quilombolas, racismo ambiental, cultura, arte e direitos das mulheres, dos negros e da população LGBTQIAPN+ do Norte. Em seu trabalho fotográfico, utiliza suportes analógicos, digitais e experimentais para registrar cenas da Amazônia urbana e de manifestações artísticas de rua marginalizadas, como a pixação e o graffiti. Desde 2018, participa de exposições de arte independentes e coletivas em Manaus. Já expôs trabalhos fotográficos no 10º Festival de Fotografia de Tiradentes (Tiradentes/MG, 2020) e na Galeria do Largo – Espaço Mediações (Manaus/AM, 2020). Recebeu o 1º Prêmio Neusa Maria de Jornalismo (2020), o Prêmio Sebrae de Jornalismo – AM na categoria Texto (2024) e o Prêmio Megafone de Ativismo na categoria Reportagem de Mídia Independente (2025). De 2020 a 2022, participou do projeto de Treinamento no Jornalismo Independente e Investigativo da Amazônia Real.

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