Mulheres indígenas, negras e ribeirinhas tomaram as ruas de Manaus no 8 de março para denunciar o feminicídio e as violências invisibilizadas na Amazônia — onde a taxa de mortes é 69% maior que a média nacional
Mulheres indígenas, negras e ribeirinhas tomaram as ruas de Manaus no 8 de março para denunciar o feminicídio e as violências invisibilizadas na Amazônia — onde a taxa de mortes é 69% maior que a média nacional
Decisão ocorre após pressão de lideranças que ocupam o terminal da empresa Cargill, em Santarém (PA); movimento cobrava retirada da norma que incluía rios amazônicos no programa federal de desestatização.
Mobilização dos indígenas e apoiadores contra decreto governamental que abre rios amazônicos à concessão privada chega a um mês sob tensão crescente; lideranças mulheres denunciam hostilidade e repressão contra o movimento. Nos últimos dias, a mobilização cresceu, recebendo apoio de outros povos indígenas, que exigem a revogação do decreto e não apenas a suspensão.
Organizações e lideranças indígenas denunciam que a obra de manutenção no rio Tapajós avança sem licenciamento ambiental e consulta prévia, ampliando a pressão do agronegócio sobre povos e territórios tradicionais
Populações locais estão alertas e com falta de informação desde a ocorrência durante a perfuração da Petrobras. Lideranças ouvidas pela Amazônia Real se dizem inseguras e com medo que o vazamento recente confirme seu receio sobre possíveis acidentes mais graves no futuro, com impacto na natureza e nas suas fontes de alimento.
Julgamento das ações do marco temporal é concluído com 9 ministros se opondo à medida. No entanto, os ministros Edson Fachin e Carmen Lúcia discordaram das observações de Gilmar Mendes, como é o caso da possibilidade de concessão de ‘terras equivalentes’, que substituiriam a posse tradicional ou ancestral da área.
A aprovação às pressas da PEC 48/2023 e a retomada do julgamento da Lei 14.701 expõem tensão entre Poderes e ampliam riscos para direitos originários no Brasil a partir da tese do marco temporal.
Enquanto o país protesta contra a violência de gênero, mulheres da região amazônica seguem sendo assassinadas, muitas vezes sob a impunidade da Justiça, que não reconhece os crimes de ódio ao gênero. Durante os protestos, a UBM pediu a federalização do caso de Deusiane Pinheiro, morta com um tiro na cabeça em 2015. O acusado pelo crime é o ex-namorado militar, que segue impune.
O Supremo Tribunal Federal havia definido que o julgamento seria em 5 de dezembro e de forma virtual, mas uma pressão do movimento indígena fez a Corte mudar a data para o dia 10, na próxima quarta-feira. Mas depois da leitura e das sustentações orais o caso volta ao plenário virtual.
Decisão dos parlamentares, em represália ao governo Lula, restabeleceu trechos do “PL da Devastação”, ampliando autolicenciamento, reduzindo exigências ambientais e ameaçando territórios indígenas e biomas brasileiros.
As quebradeiras de coco babaçu Antônia Ferreira dos Santos, 53 anos, e Marly Viana Barroso, 71 anos, foram assassinadas, com marcas brutais de violência de gênero, no dia 3 de novembro, em Novo Repartimento, no Pará. O caso repercutiu e causou clamor nos movimentos de mulheres e sociais na Conferência do Clima, o que acelerou as investigações. Um suspeito foi preso e, segundo a polícia, confessou o crime.
Movimentos quilombolas e afrodescendentes denunciam exclusão nas negociações da COP30, que, de fato, não reconhecerá os quilombolas, segundo as últimas versões dos documentos oficiais.
Representantes de povos indígenas, extrativistas e quilombolas podem participar das reuniões com os negociadores, mas com a barreira linguística ainda estão impedidos de influenciar diretamente as decisões.
Sobe para 20 o total de terras indígenas homologadas durante o governo Lula desde 2023. Muitas delas aguardavam há dez anos, desde que foram declaradas como terras indígenas. Outras, contudo, ficaram de fora, como a TI Sawré Muybu, dos Munduruku.
Na COP30, lideranças indígenas exigem demarcação de terras, voz nas negociações climáticas e a revogação do decreto que privatiza rios na Amazônia.