Ato Mulheres Vivas na Amazônia denuncia impunidade dos feminicídios na Justiça 

Enquanto o país protesta contra a violência de gênero, mulheres da região amazônica seguem sendo assassinadas, muitas vezes sob a impunidade da Justiça, que não reconhece os crimes de ódio ao gênero. Durante os protestos, a UBM pediu a federalização do caso de Deusiane Pinheiro, morta com um tiro na cabeça em 2015. O acusado pelo crime é o ex-namorado militar, que segue impune.

Basta de violência contra a mulher. Familiares de Deusiane Pinheiro e movimentos feministas fazem vigília em frente ao Fórum Henoch da Silva Reis, em Manaus, cobrando justiça (Foto: Juliana Pesqueira/Amazônia Real/2025).
Amazonia Real Publicado em: 08/12/2025 às 15:50
Por da Amazônia Real
Metodologia
Origem e metodologia: A cobertura foi sugerida pela editoria em razão dos movimentos nacionais em manifestação contra a violência contra a mulher e o feminicídio, que tem disparado de forma brutal no Brasil no último ano. Cobertura na sexta-feira (5), às 18h, da vigília em frente ao Fórum Henoch Reis, organizada pelo Fórum Permanente de Mulheres do Amazonas, como parte da programação dos 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher. Na ocasião, os familiares da Deusiane Pinheiro estiveram presentes, mas também outros familiares de vítimas de feminicídio. No dia 07 de dezembro, domingo, a equipe acompanhou o ato nacional das mulheres contra a violência e o ódio à mulher na Praça do Congresso, em Manaus (AM). Foi feito o levantamento do número da quantidade de pessoas que participaram com as organizações das mulheres nos atos nacionais.
Apuração: A apuração foi realizada de forma presencial com entrevistas com Marília Freire, oficial de justiça e presidente do Coletivo Feminista Humaniza; Antônia Assunção, mãe de Deusiane Pinheiro; Luzanira Varela, integrante do do Fórum Permanente das Mulheres de Manaus; Eriava Azevedo, presidente da UBM no Amazonas; Raiclicia Nayara, presidente do Movimento Baque Mulher em Manaus; Alderlene Pimentel, professora do curso de Geologia da Ufam e presidente da Associação Brasileira de Mulheres nas Geociências; Deborah Criolla, pesquisadora, multiartista e coordenadora do Fórum da Juventude Negra do Amazonas (Fojune); Marinete Tukano, coordenadora da União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira (UMIAB); e Socorro Baniwa, coordenadora executiva da Rede de Mulheres Indígenas do Estado do Amazonas - Makira E’ta.
Citações
“São 10 anos que eu espero por justiça. Minha filha foi assassinada dentro de um batalhão ambiental. A polícia, em vez de punir o assassino, encobriu o assassino” - Antonia Assunção

“A gente tem que falar de educação desde a infância, tem que falar sobre qual masculinidade a gente está promovendo nas escolas, na televisão, em casa. Como é que as crianças estão sendo educadas? Porque a gente nunca vai ver uma mudança de quadro se a gente não começar a educar os homens” - Marilia Freire

“Não estamos no sistema brasileiro como indígenas, mas como mulheres pardas. Estamos subnotificadas e as nossas mortes não são registradas, nossas violações de corpos não são registradas. Só é registrada e reconhecida as violações contra as mulheres indígenas quando vai para as mídias nacionais e quando não vai, elas são esquecidas” - Marinete Tukano

“Nós fazemos parte da maior taxa de violência obstétrica em números nacionais. É muito importante nossos corpos estarem aqui interagindo também com outros coletivos, com outras vivências, onde a gente se soma e vê que esse movimento não morreu. Também quero chamar atenção para as mulheres negras e mulheres indígenas do interior do Amazonas. No interior, tem altas taxas de estupros, tem altas taxas de união estável entre crianças e homens adultos” - Deborah Criolla

“Nós temos uma cultura de violência forte na região, vários casos nos quais as mulheres são silenciadas quando elas tentam denunciar. Tem sido ineficiente a lei Maria da Penha na hora de acolher essas mulheres. A precisa mudar. Hoje as políticas públicas são uma maquiagem, elas estão ali só para dizer que tem, mas na hora de executar a lei, ela não está sendo realizada” - Raiclicia Nayara

LINKS
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https://mpam.mp.br/noticias-portal/18948-ministerio-publico-vai-recorrer-da-absolvicao-de-pms-acusados-de-matar-a-soldado-deusiane-em-2015

https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-12/mulher-arrastada-em-sp-foi-vitima-de-tentativa-de-feminicidio-diz-delegado

https://www.metropoles.com/colunas/mirelle-pinheiro/ataque-a-tiros-homem-invade-cefet-do-maracana-e-mata-duas-mulheres

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2025/12/03/mulher-e-esfaqueada-em-iraja.ghtml

https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-12/soldado-confessa-feminicidio-e-incendio-de-quartel-em-brasilia

https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2024/10/presidente-sanciona-lei-que-amplia-para-ate-40-anos-a-pena-para-casos-de-feminicidio#:~:text=MULHERES-,Presidente%20sanciona%20lei%20que%20amplia%20para%20at%C3%A9%2040,pena%20para%20casos%20de%20feminic%C3%ADdio&text=O%20presidente%20Luiz%20In%C3%A1cio%20Lula,Penal%2C%20de%20at%C3%A9%2040%20anos

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https://www.brasildefato.com.br/2025/11/24/mais-de-70-das-agressoes-contra-mulheres-tem-testemunhas-diz-estudo/

https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2025/12/01/brasil-tem-mais-de-mil-casos-de-feminicidio-registrados-em-2025.ghtml

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https://www.generonumero.media/violencia-contra-mulheres-indigenas/
https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2025/11/26/adolescente-indigena-e-vitima-de-estupro-coletivo-no-interior-do-am.ghtml
https://amazoniareal.com.br/justica-federal-mantem-prisao-de-tuxaua-mura-acusado-de-abuso-sexual/
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Nicoly
Nicoly Ambrosio

É jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e fotógrafa independente na cidade de Manaus. Como repórter, escreve sobre violações de direitos humanos, conflitos no campo, povos indígenas, populações quilombolas, racismo ambiental, cultura, arte e direitos das mulheres, dos negros e da população LGBTQIAPN+ do Norte. Em seu trabalho fotográfico, utiliza suportes analógicos, digitais e experimentais para registrar cenas da Amazônia urbana e de manifestações artísticas de rua marginalizadas, como a pixação e o graffiti. Desde 2018, participa de exposições de arte independentes e coletivas em Manaus. Já expôs trabalhos fotográficos no 10º Festival de Fotografia de Tiradentes (Tiradentes/MG, 2020) e na Galeria do Largo – Espaço Mediações (Manaus/AM, 2020). Recebeu o 1º Prêmio Neusa Maria de Jornalismo (2020), o Prêmio Sebrae de Jornalismo – AM na categoria Texto (2024) e o Prêmio Megafone de Ativismo na categoria Reportagem de Mídia Independente (2025). De 2020 a 2022, participou do projeto de Treinamento no Jornalismo Independente e Investigativo da Amazônia Real.

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