Criminosos colocam fogo em sede e barracão na Resex Guariba-Roosevelt, a única do Mato Grosso

A Polícia investiga o caso, mas ainda não há suspeitos. Invasões, grilagem e desmatamento colocam em risco também a vida dos indígenas isolados Kawahiva. A imagem acima mostra o barracão de armazenamento de castanha da Associação de Moradores Agroextrativistas da […]

Amazonia Real Publicado em: 19/05/2022 às 18:40
Por da Amazônia Real
Metodologia
Essa matéria começou a partir de uma sugestão de pauta do indigenista Elias Bigio, da Operação Amazônica Nativa (Opa). Ele disse que um barracão de armazenamento da Resex tinha sofrido um atentado, e que a ação teria sido orquestrada por grileiros da região em represálias a fiscalização que estão ocorrendo no local para expulsá-los da Resex. O que me chamou atenção é que a Resex faz divisa com a TI Kawahiva, de povo isolado, e o Bigio acrescentou que a reserva tem servido de porta de entrada para os invasores também extrair madeira da terra indígena. A partir daí iniciei a investigação, entrevistando fontes locais e especialistas para saber dos riscos que os Kawahiva estão correndo. Na apuração, descobri que nos últimos anos a reserva teve um boom de invasões com aumento de mais de 300% e que, diante disso, os grileiros se aproximam cada vez mais da terra indígena, inclusive, ja retirando madeira do território. Para fazer matéria também consultei imagem de satélites, relatório sobre indígenas isolados da Opan, além de vídeos de fontes relatando o atentado na rerversa, e como isso pode estar relacionado a ação dos garipeiros. Também consultei uma importante fonte anônima que trabalha há anos no local, que me confirmou que os indíos correm risco de morte, devido à aproximação dos grileiros. A fonte não pode revelar sua identidade, porque também corre risco de morrer, caso seja revelada na reportagem.
Citações
“Ela [reserva] está servindo como porta de entrada para o território dos Kawahiva. Já teve vários registros sobre isso. Nós levamos ao conhecimento da Funai [Fundação Nacional do Índio] essas situações”

Elias Bigio, indigenista da Operação Amazônia Nativa (OPAN)
Marcio
Marcio Camilo

É jornalista cuiabano e remanescente da Comunidade Quilombola de Mato Cavalo (Nossa Senhora do Livramento – MT). Atua nas áreas de política, jurídico, cidades, esportes, cultura e reportagem. Já foi diretor de Cultura do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor) – gestão 2013 a 2015 – e, em 2014, integrou o Comitê Popular Regional da Copa do Mundo, que discutiu os impactos das desapropriações nas comunidades periféricas de Cuiabá (MT). Atualmente é mestrando do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Poder da Universidade Federal de Mato Grosso (PPGCOM-UFMT), no qual investiga o fenômeno do Jornalismo Declaratório na imprensa cuiabana.

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