Governo Lula cede à pressão pela reconstrução da BR-319

Com a autorização de obras e a abertura de licitação para a pavimentação do “Trecho do Meio” da BR-319 (Manaus-Porto Velho) pelo governo federal, a reconstrução da rodovia segue sem licença ambiental, segundo lideranças indígenas e entidades socioambientais, que denunciam a ausência de consulta prévia e alertam para riscos de impactos climáticos e ameaças aos territórios tradicionais entre Amazonas e Rondônia.

Na foto, da esquerda para a direita: Adail Filho (Republicanos-AM), o senador Eduardo Braga (MDB-AM), o então ministro dos Transportes, Renan Filho, o senador Omar Aziz (PSD-AM), Pauderney Avelino e Sidney Leite (PSD-AM) (Foto: Michel Corvelo/Ministério dos Transportes).
Amazonia Real Publicado em: 24/04/2026 às 11:47
Por da Amazônia Real
Metodologia

Origem e metodologia: Reportagem que aborda o avanço do processo de pavimentação do chamado “trecho do meio” da BR-319, que liga Manaus à Porto Velho. A obra é criticada por entidades socioambientais e lideranças indígenas devido ao seu impacto ambiental em diversos territórios ao longo do traçado.


Apuração: Apuração feita de forma remota, em Manaus. Entrevistas por telefone e mensagens com o cacique Zé Bajaga Apurinã, coordenador executivo da Focimp; Mariazinha Baré, coordenadora Apiam; Philip Fearnside, pesquisador do Inpa; Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima. Também foram procurados, por e-mail, o Dnit e o Ibama.
Citações

“Os territórios não estão sendo tratados como moeda de troca, eles já são moeda de troca. E a cooptação na época eleitoral ainda é maior. Eles [políticos] conquistam uma liderança e essa liderança cooptada vai conquistar o resto do povo. E assim sucessivamente. Então, os nossos territórios estão sendo barganhados por esse pessoal” - Cacique Zé Bajaga Apurinã


 

“Com a reconstrução da BR-319, a construção das 1.230 km de estradas estaduais planejadas para ligar com a BR-319 se torna praticamente automática, levando ao desmatamento da região Trans-Purus e uma catástrofe climática devastadora para todo Brasil” - Philip Fearnside


Por isso, a BR-319 não é apenas infraestrutura. É um instrumento de morte que ameaça a existência dos povos indígenas e fragiliza a Amazônia, aumentando seriamente os riscos de impactos ambientais e climáticos que não se restringem às fronteiras do nosso estado ou do nosso país, pelo contrário, afetam o mundo” - Mariazinha Baré


“Não se pode usar a o dispositivo da Lei Geral do Licenciamento que a prevê não sujeição ao licenciamento, ou seja, isenção de licença para empreendimentos com significativo impacto ambiental. Isso é matéria constitucional, então nós vamos entrar com uma segunda ação judicial” - Suely Araújo


 
Nicoly
Nicoly Ambrosio

É jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e fotógrafa independente na cidade de Manaus. Como repórter, escreve sobre violações de direitos humanos, conflitos no campo, povos indígenas, populações quilombolas, racismo ambiental, cultura, arte e direitos das mulheres, dos negros e da população LGBTQIAPN+ do Norte. Em seu trabalho fotográfico, utiliza suportes analógicos, digitais e experimentais para registrar cenas da Amazônia urbana e de manifestações artísticas de rua marginalizadas, como a pixação e o graffiti. Desde 2018, participa de exposições de arte independentes e coletivas em Manaus. Já expôs trabalhos fotográficos no 10º Festival de Fotografia de Tiradentes (Tiradentes/MG, 2020) e na Galeria do Largo – Espaço Mediações (Manaus/AM, 2020). Recebeu o 1º Prêmio Neusa Maria de Jornalismo (2020), o Prêmio Sebrae de Jornalismo – AM na categoria Texto (2024) e o Prêmio Megafone de Ativismo na categoria Reportagem de Mídia Independente (2025). De 2020 a 2022, participou do projeto de Treinamento no Jornalismo Independente e Investigativo da Amazônia Real.

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3 Comentários

  1. Jairo disse:

    A 319 é uma necessidade, meu amigo é dono de uma distraído arroz, ele disse que o amazonense paga mais caro pela falta de logística, ou seja para a ONG, o povo manauara tem que viver na pobreza em nome de uma falsa proteção de uma estrada de barro, lembrem-se se o asfalto é um risco, o barro não é a proteção, visto que sem asfalto ela continua sofrendo degradação no seu entorno.

  2. Jairo disse:

    Outro ponto que sem asfaltamento e infraestrutura, tudo que foi falado aqui, vai acontecer com muita liberdade, a falta de estado e governança é ambiente perfeito para grileiros, garimpeiros e desmatadores, menos asfalto é menos fiscalização, totalmente o contrário dessa reportagem que só ouviu um lado

  3. Jairo disse:

    Incrível como a matéria despreza os povos que vivem e dependem da estrada, único lugar do planeta que 3 milhões de pessoas vivem isoladas porque uma ONG seriada em um lugar com infraestrutura quer, é possível sim criar um corredor ecológico e uma estrada sustentável, sem contar que sem asfalto, o desmatamento continua ocorrendo já que os veículos usados por destruidores da floresta não dependem de asfalto, outro ponto é que a emissão de CO2 ocorre nas balsas do rio madeira que lançam toneladas de óleo lubrificante todo ano, uma logística cara que aumenta preço de alimentos e remédios, ou seja, a discussão não é construir a rodovia ou não, ela será construída, mas sim como mitigar os impactos ambientais dela

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