A reportagem surgiu como sugestão da editoria, em razão da divulgação do acordo feito entre Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Casa Civil e Ministério dos Transportes para viabilizar a pavimentação BR-319, polêmica estrada que liga Manaus (AM) à Porto Velho (RO), em seu trecho mais crítico da rodovia — cerca de 400 quilômetros no setor central, chamado de “trecho do meio”. O Plano BR-319 foi divulgado no último dia 15 de julho e o governo alega que prevê ações voltadas à proteção da floresta e à organização do território da região.
A apuração foi feita de forma remota com entrevistas por telefone e e-mail com Philip Fearnside, cientista, pesquisador do INPA; e Marcelo Rodrigues, sociólogo e secretário executivo do Observatório BR-319. A reportagem entrou em contato, por e-mail, com as assessorias de imprensa do MMA e do Ministério dos Transportes, para questionar sobre os termos do acordo.
Acordo é “desculpa” para Ibama aprovar a reconstrução da BR-319, diz cientista
Philip Fearnside critica, em meio à tramitação do ‘PL da Devastação’, o plano dos Ministérios do Meio Ambiente e dos Transportes. Organizações temem aumento do desmatamento, grilagem e invasões, além da falta de garantias reais para proteção da floresta e […]
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“Mesmo se o controle ambiental previsto for 100% bem sucedido, o resultado total do acordo será fortemente negativo”, diz Philip Fearnside, cientista, pesquisador titular do Inpa.
“No caso da BR-319 não é um acordo, é um procedimento. Esses procedimentos existem no mundo todo. Todos os grandes empreendimentos no mundo todo fazem Avaliação Ambiental Estratégica (AAE). (...) Os estudos irão ser feitos e, obviamente, os estudos não são a licença, mas é o que já dizíamos há quase 20 anos que precisavam ser feitos", disse Marina Silva.
“Vemos que [o plano] encara a questão da BR-319 de forma ampla e respeitando sua complexidade, sem resumir seu foco às obras de engenharia em si. Porém, nos mantemos céticos quanto à efetividade destas propostas enquanto houver no território demandas tão básicas quanto a falta de profissionais nos órgãos estatais responsáveis pela governança do território. Por essa razão, acompanhamos o anúncio do Plano com preocupação, já que ele foi feito sem ações imediatas no território, pois sabemos que todo e qualquer anúncio feito sobre a estrada gera consequências sociais, ambientais e econômicas”, disse Marcelo da Silveira Rodrigues, do Observatório da BR-319.
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