Quilombolas iniciam mobilização por mais reconhecimento e titulação no governo Lula

Conaq diz que ao menos 39 comunidades estão com processo em fase final; .1.803 2 mil estão em processo em andamento, segundo o Incra (Foto: Cláudio Kbene/PR). Cuiabá (MT) – Após quatro anos com a regularização interrompida no governo de […]

Encontro de Mulheres Quilombolas do Brasil e da América Latina (Foto: Cláudio Kbene/PR)
Amazonia Real Publicado em: 16/06/2023 às 08:00
Por da Amazônia Real
Metodologia
Esta reportagem começou com a notícia de que o quilombo Campina de Pedra, em Poconé, Mato Grosso, havia recebido o título do território. A comunidade e movimentos sociais vibraram por ser o primeiro no Estado. Acontece que, ao apurar os fatos, o que se confirmou é que na verdade o que saiu foi a portaria de reconhecimento e declaração do Incra, delimitando a área. Um importante passo no trâmite processual, mas ainda não é a titulação. E veio à tona também o passo a passo de todo esse demorado e burocrático trâmite no Incra, o que, para o movimento quilombola, denota mesmo é uma lentidão que tem a ver com o racismo institucional e à falta de vontade política de fazer a coisa andar, em prol dos remanescentes afrodescendentes. Discutir essa questão trouxe à tona por fim a importância de assegurar a titulação às famílias quilombolas. A titulação traz sim a segurança jurídica, o direito à terra, mas traz também a proteção à cultura do povo negro que se aquilombou, para sobreviver à opressão da escravidão imposta. Seu modo de vida, de pensar, de se expressar artisticamente, religiosamente, na culinária e também no plantio e na produção de produtos orgânicos, livres de venenos agrícolas.
Citações

“É uma demora, é uma morosidade, é uma burocracia e muitos de nós achamos que essa burocracia tem nome e é racismo institucional.” (Coordenador Executivo da CONAQ, Denildo Rodrigues, o Biko.


 

“As elites rurais consideram uma questão de ordem brecar isso (às titulações de territórios quilombolas), porque significa que elas possam perder terras que apropriaram muitas vezes de forma ilegal ou às vezes legal, mas com violência, ameaças, no passado, então querem conservar a propriedade, porque através da terra detém o poder econômico e político também”. (Professor doutor em Ciências Sociais pela Unicamp (SP), Antônio Moura)

Keka
Keka Werneck

Keka Werneck é jornalista mineira, formada pela UFJF, e atua em Cuiabá (MT) há mais de 20 anos. Já trabalhou em jornal impresso, site, TV, rádio, assessoria de imprensa e, não importa onde esteja, sempre se interessa em ir atrás de pautas voltadas aos direitos humanos. Se interessa muito em "amar e mudar as coisas", citando Belchior. É casada, mãe de três filhos, vice-presidente da ONG Mães pela Diversidade MT e ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT).

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1 Comentário

  1. Sonia Palma disse:

    Excelente matéria, muito esclarecedora!

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