Questão Agrária

Polícia de Rondônia localiza agricultores e diz que eles foram torturados por madeireiros

Extração ilegal de madeira no Sul de Lábrea. (Foto: Alberto César Araújo/2007)
12/09/2015 21:32

Ao flagrarem a extração ilegal de madeira, eles foram espancados com coronhadas de espingardas nas costas, na cabeça e obrigados a tirar as roupas. (A fotografia do sul de Lábrea é de Alberto César Araújo)

 

A 9ª. Delegacia de Polícia Civil de Extrema, em Rondônia, informou na noite deste sábado (12/09) que localizou os quatro agricultores que estavam sendo procurados no Projeto de Assentamento Florestal (PAF) Curuquetê, no sul de Lábrea (Amazonas), na fronteira com o Estado vizinho. Segundo a polícia, que confirmou a existência de um conflito agrário na região, eles foram encontrados por familiares em uma região isolada com marcas de torturas e espancamentos. Os acusados pelos crimes são madeireiros.

O conflito aconteceu na manhã de quinta-feira (10/09). Não houve registro de cinco pessoas feridas por arma de fogo, como foi informado por familiares no Boletim de Ocorrência, disse a polícia.

Conforme a 9ª. Delegacia de Extrema, os acusados por crime de lesão corporal contra os agricultores são o madeireiro Luis Machado e cinco capangas dele, mas ninguém foi preso. A polícia diz que fez buscas para encontrar os acusados, mas não teve sucesso. Um inquérito policial será aberto para investigar os crimes.

A investigação da Polícia Civil de Rondônia diz que cinco agricultores se envolveram no conflito, quando flagraram o madeireiro Luís Machado comandando uma derrubada de árvores em terras públicas do assentamento Curuquetê, o que é extração ilegal e crime ambiental.

O madeireiro Luis Machado, que é também acusado de grilagem de terra, foi questionado pelos agricultores por fazer o desmatamento, iniciando o conflito. 

Familiares de quatro deles registraram os desaparecimentos na delegacia na sexta-feira (11/09). Cerca de 30 homens das polícias Civil e Militar de Extrema e Porto Velho, além do delegado Marcos Bastos, foram enviados para o assentamento Curuquetê. (Leia aqui).

De acordo com relatório do delegado Marcos Bastos, do qual a agência Amazônia Real teve acesso, quando a força policial chegou no assentamento os familiares já tinham encontrado os agricultores. A polícia não informou o horário e o dia em que eles foram achados pelos familiares. 

Um perito da Polícia Civil os examinou e atestou as marcas de torturas. Os agricultores não receberam atendimento em hospital da região. “Eles tinham marcas de coronhadas de espingardas nas costas e na cabeça. Foram espancados e obrigados a tirar a roupa”, diz um trecho do documento da polícia.

A Comissão Pastoral da Terra afirma que o madeireiro Luís Machado é um dos envolvidos na morte do líder camponês Adelino Ramos, o Dinho, 57 anos, em maio de 2011. Ramos pertencia ao MCC (Movimento Camponês Corumbiara) e foi assassinado por pistoleiros em Vista Alegre do Abunã, um distrito localizado em Rondônia, na divisa com o Amazonas. Adelino Ramos era a principal liderança do PAF Curuquetê.

A coordenadora da CPT em Rondônia, Maria Petronila Neto, disse que seguirá neste domingo (13/09), para o Projeto de Assentamento Florestal (PAF) Curuquetê, no sul de Lábrea (Amazonas). O objetivo é levantar a extensão do novo conflito envolvendo o madeireiro Luís Machado e os assentados.

A agência Amazônia Real procurou o secretário-executivo do Gabinete de Gestão Integrada do Amazonas, Frederico de Sousa Marinho Mendes. Ele disse que uma força policial com 15 homens foi enviada para o Projeto de Assentamento Florestal (PAF) Curuquetê, no sul de Lábrea (Amazonas), para investigar o caso e dar segurança aos agricultores.

O secretário disse também que a Polícia Federal foi acionada, uma vez que o conflito aconteceu dentro de terras públicas. “Houve um conflito, mas estamos levantando toda a situação”, disse Mendes.

 

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Comentários

  1. Maiká disse:

    O direito agrário é, certamente, a parte da legislação mais maltratada pelo estado brasileiro. Nem o apelo aos direitos humanas está sendo capaz de resguardar a posse do camponês ou do indígena ante a força da fazenda. Na ‘Amazônia Real’ a grilagem é a regra e está acima de qualquer legislação.

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