A invisibilidade do encarceramento indígena no Amazonas

As violações contra indígenas no sistema criminal amazonense são profundas e ocorrem desde o processo judicial até o cumprimento da pena, incluindo: negação da identidade étnica; barreiras linguísticas; falta de assistência; condições degradantes em delegacias; violência física e sexual extrema; e apagamento cultural e espiritual. A Apib protocolou um habeas corpus coletivo no STF buscando garantir o regime de semiliberdade ou prisão domiciliar para indígenas condenados.

Foto ilustrativa (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real/2016)
Amazonia Real Publicado em: 16/07/2026 às 08:00
Por da Amazônia Real
Metodologia
Origem e metodologia: A reportagem foi sugerida pela editora e aborda os desafios enfrentados por pessoas indígenas privadas de liberdade no sistema de justiça criminal, com foco no Amazonas, e analisa o cumprimento das garantias previstas na legislação brasileira.
Apuração: A apuração foi realizada de forma remota por meio de entrevistas por telefone e WhatsApp com Ellen Sateré-Mawé, assessora jurídica da Apiam; Ricardo Terena, assessor jurídico da Apib; e o defensor público João Gustavo Fonseca, da DPE-AM. Além disso, houve análise de documentos públicos, levantamento de dados oficiais do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), consulta à legislação e solicitação de informações à Funai, COIAB, Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP) e Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM). Até a publicação da reportagem, SEAP e SSP-AM não haviam respondido aos questionamentos.
Citações
 

“Nossos parentes ficam nas delegacias em condições degradantes, porque a delegacia não tem estrutura de presídio. Se há previsão de um atendimento médico, não tem; se precisa de uma alimentação diferenciada por conta de algumas comorbidades, como diabetes ou pressão, também não tem. É um descaso muito grande” - Ellen Sateré-Mawé, assessora jurídica da Apiam


 

“Raramente se permitem perícias antropológicas, que visam  garantir julgamento mais justo, e mais raramente ainda mecanismos próprios da comunidade indígena são adotados pelo Sistema de Justiça, no caso de punição de pessoa indígena. Mesmo a adequada participação no processo criminal às vezes é obstaculizada, pois alguns juízes, alegando falta de recursos do Judiciário para deslocar-se até às aldeias e comunidades mais distantes, deixam de garantir a intimação pessoal dos réus” - João Gustavo Fonseca, defensor público do Estado do Amazonas


“O sistema judiciário brasileiro acaba ignorando plenamente a questão da identidade indígena. Por mais que a pessoa se declare indígena, fale sobre a necessidade de um laudo antropológico, fale sobre a necessidade de ter um acompanhamento de um tradutor, essa identidade é negada sob o argumento de que a pessoa está usando telefone, trabalha, tem CPF, sabe escrever” - Ricardo Terena, assessor jurídico da Apib


 

 

LINKS


https://apiboficial.org/2026/05/18/no-stf-apib-protocola-pedido-de-semiliberdade-coletiva-para-pessoas-indigenas-presas/


 

https://apiboficial.org/files/2026/05/HC-coletivo.pdf


 

https://apiboficial.org/files/2026/05/Relat%C3%B3rio_Desconstitui%C3%A7%C3%A3o_da_identidade_ind%C3%ADgena_pelos_tribunais.pdf


 

https://www.tjam.jus.br/joomlatools-files/docman-files/gmf-grupo-de-monitoramento-carcerario/relatorios-1/relatorios-estatisticos-1/rijam24-2.pdf


 

https://cimi.org.br/2020/10/encarceramento-povos-indigenass/


 

https://apiboficial.org/files/2025/08/Nota-T%C3%A9cnica-Encarceramento-Ind%C3%ADgena-.docx-Documentos-Google.pdf


 

https://www.poder360.com.br/poder-justica/pgr-pede-mais-dados-em-acao-sobre-indigenas-presos


 

https://www.cnj.jus.br/indigenas-e-justica-criminal-no-amazonas-tribunal-apresenta-dados-ineditos-em-relatorio/


 

https://cimi.org.br/2019/07/resolucao-aprovada-cnj-marco-para-tratamento-juridico-penal-indigenas-brasil/


 

https://www.gov.br/funai/pt-br/assuntos/noticias/2026/em-mato-grosso-do-sul-funai-promove-acoes-culturais-educacionais-e-de-garantia-de-direitos-para-mulheres-indigenas-privadas-de-liberdade


 

https://direitoshumanos.dpu.def.br/wp-content/uploads/2025/04/nota_tecnica_excepcionalidade_indigenas_sistemaprisional_30abr25.pdf


https://educa.ibge.gov.br/criancas/brasil/2848-nosso-povo/22324-os-indigenas-no-censo-2022.html


https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2025/08/01/indigena-que-denunciou-ter-sido-estuprada-por-pms-em-delegacia-no-am-fala-pela-primeira-vez-trauma-para-sempre.ghtml


https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/2959


 

https://www.poder360.com.br/poder-justica/pgr-pede-mais-dados-em-acao-sobre-indigenas-presos/


 
Nicoly
Nicoly Ambrosio

É jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e fotógrafa independente na cidade de Manaus. Como repórter, escreve sobre violações de direitos humanos, conflitos no campo, povos indígenas, populações quilombolas, racismo ambiental, cultura, arte e direitos das mulheres, dos negros e da população LGBTQIAPN+ do Norte. Em seu trabalho fotográfico, utiliza suportes analógicos, digitais e experimentais para registrar cenas da Amazônia urbana e de manifestações artísticas de rua marginalizadas, como a pixação e o graffiti. Desde 2018, participa de exposições de arte independentes e coletivas em Manaus. Já expôs trabalhos fotográficos no 10º Festival de Fotografia de Tiradentes (Tiradentes/MG, 2020) e na Galeria do Largo – Espaço Mediações (Manaus/AM, 2020). Recebeu o 1º Prêmio Neusa Maria de Jornalismo (2020), o Prêmio Sebrae de Jornalismo – AM na categoria Texto (2024) e o Prêmio Megafone de Ativismo na categoria Reportagem de Mídia Independente (2025). De 2020 a 2022, participou do projeto de Treinamento no Jornalismo Independente e Investigativo da Amazônia Real.

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