Massacre no sul do Amazonas: três mortos, mandantes soltos

Em uma área da região Amacro, pequenos agricultores continuam sendo alvos de violência em meio a conflitos de campo. No último final de semana, Josias Albuquerque, que já havia sido baleado por pistoleiros em 2018, na mesma região, não sobreviveu. Foi vítima de emboscada, na qual mais duas pessoas foram mortas. Os executores foram presos e confessaram os nomes dos mandantes. Os mandantes seguem livres.

Retratos das vítimas: Josias Albuquerque de Oliveira, de 45 anos; o trabalhador rural Antônio Renato, de 32 anos, e Arthur Henrique Ferreira Said, de apenas 14 anos. Eles foram assassinados por pistoleiros, entre os municípios de Lábrea e Boca do Acre. (Fotos Reprodução redes sociais).
Amazonia Real Publicado em: 30/04/2026 às 19:42
Por da Amazônia Real
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Citações

“Queremos denunciar na mídia a injustiça. Para que a Polícia Federal possa tomar alguma providência. Os assassinos foram presos e confessaram os nomes dos mandantes. Por que os mandantes não estão presos?” - Fonte anônima


“Na Boca do Acre tem uma quadrilha de bandidos comandada e formada por grileiros de terra. A Polícia Federal, o Ministério Público Federal e Estadual estão acompanhando, só que eles são lentos. O massacre foi um dos últimos casos, mas eles [fazendeiros] vêm fazendo isso desde 2018. Essa BR-317 cheira a sangue que é derramado nas encostas da estrada. Tem latifúndio, madeireiras, produção da soja e criação de boi que esses fazendeiros fazem. Eles matam e perseguem trabalhadores rurais e indígenas sucessivamente” - Manuel do Carmo


“Dentro dessa Gleba tem grandes produtores pleiteando tomar uma fatia maior. Não tem cadastro no Incra desde a década de 1980 e até hoje não foi criado outro assentamento a não ser o PA Monte. Então, eles [fazendeiros] entram, os grandes entram do jeito que querem. Eles têm condições de botar máquina, de fazer pista de avião, de fazer tudo. Eles tem tudo isso e chegam primeiro. Os extrativistas, os seringueiros, são expulsos por eles” - Cosme  Capistrano


 

Nós estamos adotando uma série de providências do ponto de vista da regularização fundiária no sul do Amazonas. No momento, conversamos com 12 prefeituras, temos uma estratégia para regularizar todas essas terras públicas. Nós não abrimos mão de combater a grilagem de terras. E aquilo ali [a Gleba Recreio do Santo Antônio] é terra pública, invadir terra pública é crime. Ninguém pode estar em terra pública sem abrir um procedimento no Incra” - João Pedro Gonçalves


 
Nicoly
Nicoly Ambrosio

É jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e fotógrafa independente na cidade de Manaus. Como repórter, escreve sobre violações de direitos humanos, conflitos no campo, povos indígenas, populações quilombolas, racismo ambiental, cultura, arte e direitos das mulheres, dos negros e da população LGBTQIAPN+ do Norte. Em seu trabalho fotográfico, utiliza suportes analógicos, digitais e experimentais para registrar cenas da Amazônia urbana e de manifestações artísticas de rua marginalizadas, como a pixação e o graffiti. Desde 2018, participa de exposições de arte independentes e coletivas em Manaus. Já expôs trabalhos fotográficos no 10º Festival de Fotografia de Tiradentes (Tiradentes/MG, 2020) e na Galeria do Largo – Espaço Mediações (Manaus/AM, 2020). Recebeu o 1º Prêmio Neusa Maria de Jornalismo (2020), o Prêmio Sebrae de Jornalismo – AM na categoria Texto (2024) e o Prêmio Megafone de Ativismo na categoria Reportagem de Mídia Independente (2025). De 2020 a 2022, participou do projeto de Treinamento no Jornalismo Independente e Investigativo da Amazônia Real.

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