Povos Indígenas

O casamento das índias juma gerou polêmica internacional

20/10/2013 20:40

Antes de deixaram a terra tradicional, os juma conviviam sob risco de extinção da etnia. Não existia homens jovens para os matrimônios com as adolescentes Borehá, Maitá e Mandei na reserva, em Canutama (AM).

As meninas juma Mandei, Mborehá e Maitá na aldeia original, em 1994. Foto: Adolpho Kilian Kesselring.

As meninas juma Mandei, Mborehá (mãe) e Maitá e o velho Marimã (na rede) na aldeia original, em 1994. Foto: Adolpho Kilian Kesselring.

Em março de 1994, a Funai e o Cimi iniciaram um processo de aproximação dos jumas com povos falantes da língua tupi-guarani.

O antropólogo Gunter Kroemer (1939-2009), do Cimi, acompanhou um encontro das juma com índios parintintin na região de Joari Tapuí, no município de Lábrea (AM). Ele defendia a relação inter-étnica com a autonomia preservada das duas etnias.

O encontro das juma com os parintintin desagradou a Funai, como esta repórter relatou à época ao jornal O Estado de S. Paulo. O sertanista Sydney Possuelo, então coordenador do Departamento de Índios Isolados, e o indigenista Adolpho Kilian Kesselring, questionaram na reportagem as diferenças culturais dos povos.

A falta de maridos para as juma acabou virou notícias nacional e internacional.  Kilian Kesselring concedeu uma entrevista para a revista francesa “Actuel”, da qual o título foi “Tribo procura guerreiro”. O anúncio provocou uma enxurrada de cartas enviadas de várias parte do mundo à Funai de Brasília. Jovens americanos, por exemplo, apresentaram propostas de casamentos às juma.

Na ocasião, Kilian Kesselring disse que a revista deturpou suas palavras sobre a falta de maridos. Mas, seus colegas da Funai preferiram demonizá-lo, o que acabou provocando sua demissão do Departamento de Índios Isolados.

Procurado pelo portal Amazônia Real, o indigenista Adolpho Kilian Kesselring, afirmou que está preparando um documento histórico sobre seu trabalho com os juma, razão pela qual irá se posicionar em outro momento.

Casamento com uru-eu-wau-wau gerou 12 filhos

Em 1999, a Funai iniciou um processo de relacionamento das juma com a etnia uru-eu-wau-wau de Rondônia. Segundo informações da Funai e da ONG Kanindé, as jumas já tiveram 12 filhos de casamentos com os uru-eu-wau-wau.

Borehá Juma, hoje com 32 anos de idade, casou com Erowak Uru-Eu-Wau-Wau e tiveram quatro filhos. Quando chegou à aldeia do Alto Jamari, ela já tinha uma filha de um pescador, resultado da exploração sexual que ela sofreu na aldeia.

Segundo o indigenista Leonardo Cruz, da ONG Kanindé, a criança que de Borehá foi criada por missionários evangélicos, sem autorização dos juma.

Maitá Juma, 29, casou com Puruwá Uru Eu Wau Wau, e tiveram quatro filhos. Ele morreu depois de atingido por um raio, em 2009. Ela casou com Puruen, com quem teve mais um filho.

Mandei Juma, 27,casou com Kuari-Uru-Eu-Wau Wau. O casal, que tem três filhos, se encontra atualmente separado.

A Coordenação-Geral de Índios Isolados e Recém Contatados da Funai afirma que casamentos inter-étnico são comuns na Amazônia. “A diferença é que esses dois grupos (juma e uru-eu-wau-wau) não se conheciam, eram absolutamente estranhos”, afirma o coordenador Carlos Travassos.

O casamento entre juma e uru-eu-wau-wau, segundo ele, trouxe um certo clima de rivalidade entre as etnias. Mas, as diferenças são consideradas naturais.

Travassos disse que os jumas não abordam o tema extinção da etnia, mas podem ter aceitado o casamento como estratégia para garantir a continuidade familiar.

Mborehá Juma

Mborehá Juma. Fotos: Leonardo Cruz

Maitá Juma

Maitá Juma

Mandeí Juma

Mandeí Juma

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Comentários

  1. Iria Maria Royer - royersbrasil@yahoo.com.br disse:

    Um grande NÃO á venda por FHC de 50% do território brasileiro, SIM à proteção dos indígenas, continua na gaveta da presidente Dilma aguardando o NÃO PARA OIT N.169. Para a ONU hoje aliada a oligarquia da esquerda, “é bom” está chegando para eles o momento do Brasil caladinho, eles virão, e tomarão 50% do território. Temos que exigir, MANDAR se for preciso a senhora DILMA NEGAR, diser um grande NÃO PARA OIT N.169. Data Fatal no dia 24/07/2014. Nós sabemos que ela quer mesmo tomar tudo dos brasileiros, implantar comunismo no Brasil, e para isto ela faz de tudo, mesmo inconstitucional, contra o povo, não conhece nem hierarquia, faz tudo o que bem quer, e os brasileios que deveriam agir, penso até que muitos (ao menos os do Congresso) nem sabem nada sobre isto. Da-lhe NÃO, NÃO ou nós daremos um GRANDE NÃO para a senhora.

    • Gilberto disse:

      Estava até achando seu comentário interessante e realista até chegar na parte da ficção cientifica de que vai implantar o comunismo aqui.

  2. […] 10 – Em março de 1994, a Funai e o Cimi iniciaram um processo de aproximação dos índios Jumas com povos falantes da língua tupi-guarani. O antropólogo Gunter Kroemer (1939-2009), do Cimi, acompanhou um encontro das índias juma com índios parintintin na região de Joari Tapuí, no município de Lábrea (AM). Ele defendia relação inter-étnica com a autonomia preservada das duas etnias. Pergunto? Que direito tiveram e tem o CIMI, CIR, alheios aos costumes indígenas em cada tribo, para determinar com quem os nossos jovens índios podem e devem ter relações sexuais? Aonde fica a Funai que é protetora, defensora e guardiã dos indígenas como reza na CB de 1988 permitiu/permite? Não conseguimos entender por que diminui a cada dia a quantidade de índios brasileiros nos diversos dialetos em cada tribo. Hoje, a etnia Jumas está praticamente extinta e as ONGs culpam os seringueiros. Quem pode garantir tal afirmação, sem que o Exército esteja presente para realizar a segurança no entorno, desde que foram proibidos de adentrar. No entanto, a terra indígena Juma, com 38.700 hectares, está demarcada, com recursos naturais da reserva, que é cortada pela estrada Transamazônica (BR-230). Leiam o link e perguntem a si mesmos, por que não existe índios jovens Jumas para matrimônio, e leiam o depoimento da índia canadense na Comissão da Verdade no item 8, “eles” castraram os índios quando crianças para não terem mais filhos e no prazo de trinta anos se apoderaram das terras, é a média de vida deles. http://amazoniareal.com.br/o-casamento-das-indias-juma-gerou-polemica-internacional/ […]

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